Let The Game Begin
Hello, Mr. Angel!!! OK. Quando a história começou, juro que
pensei que seria algo rápido. E não mudei de idéia mesmo com o comentário de
uma grande amiga: "Quando comecei com o meu anjo, eu também classificava o fato
como mais um relacionamento auto-destrutivo. O tempo provou que eu estava
errada". You don't know me, but I know you. Não havia chances,
certo? Nós praticamente não nos falávamos. Ele é (?) hetero e tinha
namorada. I want to play a game. As semanas foram
passando... Os "bom dia"'s se transformaram em "como foi o seu fim de
semana?" e evoluíram para a descoberta de interesses comuns. O fluxo de
e-mail's e mensagens instantâneas cresceu assustadoramente. Amigos comuns.
Reuniões informais na hora do lanche. Better hurry up. E
hoje, me foi dirigida a frase: "Terminei com a minha namorada no fim
de semana passado. Quando quiser me convidar para sair, agora sou um homem
livre"!!! Completada com: "Posso não ser romântico, mas sou um ótimo
estrategista, sempre estou planejando para conseguir aquilo que
quero". Live or die... CA-RAM-BA!!! O caçador virou caça? O
jogo começou!!! ... make your choice.
* Frases do título e em itálico retiradas do filme Jogos
Mortais.
Escrito por Super Body às 17h18
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Minha Vida Poderia Ser Um Filme. Ou Três.
Fala, galera!!! Há tempos não publico!!! Mas, para aliviar a crise de
abstinência, publico hoje três textos que podem (ou não) estar relacionados
entre si... quem pode dizer os mistérios que o universo esconde? Coincidência
(ou não), todos têm títulos de filmes conhecidos. Um beijo a vocês que ainda
passam por aqui.
Texto 1: O Negociador
- ... e com isto, fecho a minha plataforma e tenho a base
sólida para a minha campanha de eleição a vereador de
Uberlândia. - Ótima argumentação! - Então posso contar com o seu voto? - Não. - Não?!?!? Depois de tudo o
que acabei de expor, você ainda vai preferir outro candidato? - Posso até não preferir, mas vou ser obrigado a escolher outro
candidato. - Por quê? - Não posso votar em você. - Mas eu
preciso do seu voto. - Infelizmente, não posso
ajudar nesse sentido. - Você confia em
mim? - Sim. - Você
confia nas minhas propostas? -
Sim. - Então você não tem motivos para
não votar em mim! - Tenho um ótimo
motivo. - Já sei! Tem algum parente seu que é
candidato? - Não que eu saiba. Independente disso,
ser meu parente não é requisito suficiente para ter meu voto. - Estou vendo que conseguir seu voto dá trabalho
mesmo! - Você teria conseguido, se não fosse por
um pequeno detalhe. - OK, eu desisto. Pode me
dizer. O que eu fiz de errado ao tentar convencer você? - Absolutamente nada. - Então, por
que não vai votar em mim? - Pelo simples motivo de
que meu título de eleitor não é da cidade de Uberlândia!
Texto 2: Déjà Vu
- Oi, você se lembra de mim? Quanta
originalidade!!! Mesmo depois de dois anos, até a abordagem era a mesma! E eu
nem gostei da primeira vez... ou deveria dizer, da segunda vez? Ah!!! Tanto
faz!!! Foi um erro que maculou uma das melhores viradas de ano que eu tive na
vida... e tá certo que muito mais coisas ficaram manchadas naquele dia... a
virada dos dálmatas! Ainda bem que ficou só no papo... Tanto da primeira
quanto da segunda vez. Mas, se dependesse dele, o terceiro encontro acabaria
em beijo. Com uma cantada digna de picadeiro (já que a minha amiga me lembrou há
alguns dias que "homem é tudo palhaço"): - Estou com dor
de cabeça! Preciso beijar na boca para fazer passar. - É. Mal não vai fazer. Ou pelo menos fará com que você se
distraia e esqueça a dor. - Pois é, então vem aqui
e me beija agora! - Epa! Vai parando por
aí. - Por quê? Eu quero e você quer, tá esperando
o quê? - Quem disse que eu quero,
cara-pálida? - Seus olhos! - Sai para lá, não achei minha boca no lixo, não!
Texto 3: A Volta dos Mortos-Vivos
A caixa de aviso salta na tela: You have new mail. Clico para
abrir... "Ah, meu Deus!!! Não é possível!!!" Ou eu estava vendo
coisas, ou os mortos estavam se levantando de suas tumbas... Agosto... mês do
cachorro louco... e da Hora do Horror!!! Corrida contra o tempo... consegui
vencer!!! Cravei as estacas nos corações dos vampiros e eles voltaram para as
profundezas de onde nunca deveriam ter saído! R.I.P.!!!
Escrito por Super Body às 17h22
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A**sado
Fala, galera!!! Em mais de quatro anos de existência (sendo que os quatro
anos de UOL se completaram no último dia 06 e eu nem me toquei disso a não ser
hoje), este meu cantinho já foi de tudo. Engraçado, depressivo, irônico e à
beira de um ataque de nervos, passando por todas as variantes. Já agredi e já
fui agredido. Já contei histórias reais e fictícias. Já fiz e aconteci por aqui
e muita gente me ajudou a fazer esta história, comentando e contribuindo com
textos. Mas se existe uma única coisa que meu blog nunca foi, esta única
palavra é "pornográfico". Por isto, primeiro levei um susto, e poucos
segundos depois eu estava gargalhando histericamente (ainda bem que estava
sozinho em casa), quando recebi o seguinte torpedo vindo da minha amiga
Silvinha: "Fui acessar seu blog e não consegui! A empresa está bloqueando
alegando conteúdo pornográfico!" Pornográfico? Eu? O meu cantinho? Cheguei
a pensar que eu tinha sido hackeado... Conferi. Está tudo normal. Então,
decidi fazer uma auto-análise. Vou dar uma olhada em algumas palavras que
sugerem conteúdo pornográfico e estão na página inicial do meu blog hoje. Entre
parênteses, colocarei a nota de 1 a 10 do quanto acho que tenha influído na
decisão da empresa da minha amiga. Vamos lá:
Coisas (7): Afinal, coisas podem ser quaisquer coisas,
certo? Cama (8): Grande parte das "coisas" se faz na
cama. Subir (7): Um efeito do comprimidinho azul sobre as
"coisas". Montagem (8): O ato de montar. Banho,
sujar, suor (6): O que estas palavras sugerem? Bicicleta
(6): Uma posição? Picado (9): Como é que eu tive
coragem de publicar isso? Cobra, lingüiça (10):
Evitem!!!
Realmente... tudo por aqui é muito pornográfico!!! Um beijo a todos!!!
P.S.: Beijo no rosto. Beijo na boca pode ser considerado
pornográfico.
P.S. 2: Substituí as duas letras do título por asteriscos,
porque as duas juntas sugerem conteúdo pornográfico.
Escrito por Super Body às 16h08
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Vê Se Pode...
Se me acharem muito maldoso, considerem que estou escrevendo este texto com
muita raiva ainda. O fato aconteceu há poucos minutos.
Celular toca. É minha mãe: - Filho, você está em casa? - Sim. Por
quê? - Comprei uma cama e vão entregar aí. Eu não vou conseguir chegar a
tempo. Você pode receber por mim? - Claro, sem problemas. - O rapaz acabou
de ligar e vai chegar aí em alguns minutos. - Tudo bem, eu espero.
Interfone toca. É o porteiro: - Senhor, é um rapaz que veio entregar uma
cama. - OK, pode mandá-lo subir, por favor. Desligo o
interfone. Interfone toca novamente: - Senhor, o rapaz disse que não vai
subir... Hein? - ... e que o senhor deve descer para buscar a
cama aqui embaixo. Pára tudo! - Como assim? - Ele disse que a
entrega não inclui a montagem. - Ainda assim, ele deve trazer aqui em
cima. Essa é boa! Longos minutos se passam. O rapaz chega
carregando o colchão, o porteiro carregando o estrado. O rapaz, de cara feia,
se vira para mim e diz: - Sorte sua que o porteiro se dispôs a me ajudar,
pois eu não iria trazer tudo sozinho, não. E antes que eu tivesse tempo de
responder qualquer coisa, ele acrescentou: - Você é daqueles que não têm o
costume de fazer força, né? - Tenho, sim. Você está enganado. Só que vou
voltar para o escritório daqui a pouco e não quero tomar outro banho agora. -
Banho por quê? É tudo novo, limpinho... Você não iria se sujar. - E suor? Não
conta? Ele me olhou como quem dissesse: "Burguesinho fresco!" -
Assinar o recebimento você pode, né? Ou será um esforço excessivo
também? Tive que me segurar para não mandá-lo para o inferno. Mas ele não
ganhou gorjeta!
Quando a incompetência atinge até o setor braçal é um sinal de que o fim dos
tempos realmente se aproxima.
Escrito por Super Body às 15h24
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Uma Surpresa Nada Agradável
Havia algo diferente no ar... Algo que me fez subir aqueles degraus, mesmo
sendo uma terça-feira. Eu nunca subo aqueles degraus na terça-feira. Pelo
menos, não conscientemente. Mas, relembrando agora, percebo que eu estava
mesmo um pouco fora de mim. Subi sem ter inteira percepção dos fatos. O
clima estava pesado, o ambiente estava anormal. Não sei explicar como, só sei
que não estava igual a todos os dias. Parei na porta da sala. Os alunos
pedalavam freneticamente. E na bicicleta do professor, quem estava?
Olívia!!! Foi a primeira vez na vida que me decepcionei ao ver minha
amiga. E eu nem sabia que ela tem certificação em RPM...
Escrito por Super Body às 09h24
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Há Controvérsias...
Está decidido. Não quero mais saber de me apaixonar. Amor? Tô
fora!!! Vou envelhecer sozinho, me tornar um daqueles senhores rabugentos e
mal humorados que espanta vendedores com tiros de espingarda de sal grosso. Que
cumprimenta os vizinhos com a cara amarrada e um "bom dia" que mal sai por entre
os dentes. Nem adianta tentar me convencer do contrário, a decisão é
irrevogável. Fechei meu coração!
Então, surge um anjo... (E não é que até nome de anjo o danado
tem?) Lindo como só um anjo consegue ser, embora não tenha a menor
consciência do quanto é belo. Faz meu coração acelerar com sua presença. Uma
presença tímida, discreta e muda, mas nem por isso menos intensa. Me relembra
os prazeres de estar apaixonado e o bem estar que é trazido pela simples
sensação de se estar feliz. Sem nada dizer, mostra que "decisão irrevogável"
é o caramba! Sou revirado pelo avesso mais uma vez.
Mas, como é um anjo, ele é fisicamente inatingível. Anjos são espirituais
por excelência. Podem ser admirados, mas não podem ser tocados. Não importa.
Apenas por existir, já mudou minha vida.
Escrito por Super Body às 10h08
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Um Diálogo Qualquer
(...) - Gato escaldado tem medo de água
fria. - Ah! - Do
mesmo modo que cachorro picado por cobra... - O
que tem? - Como assim? - Não entendi. Cachorro picado por cobra? - É. Tem medo de lingüiça. Outro provérbio. - Não conhecia esse. -
Sério? - Não só não conhecia, como não
entendi. - Não entendeu o quê? - Por que é que cachorro picado por cobra tem medo de
lingüiça? - Então. Uma vez que o cachorro foi
mordido pela cobra e a lingüiça tem o mesmo formato, o cachorro começa a fugir
da lingüiça com medo, entendeu? Pelo trauma. - Ah!
Simples assim? - É. Para que
complicar? - Tá certo. - Então, voltando ao assunto... -
Gato que morreu escaldado... -
Hein? - ... tem medo de água fria. - Não. Não tem. - Mas você não
acabou de dizer? - É, mas o gato que morreu
escaldado não tem medo de mais nada. - Por quê?
Você tá me confundindo...
É nessas horas que eu me preocupo seriamente com o futuro da humanidade.
Escrito por Super Body às 10h10
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Frases Que Só São Ouvidas em Uberlândia
No estacionamento do shopping: "Este elevador passa no Paizódromo?"
Prefiro não comentar...
Escrito por Super Body às 10h37
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Punição para a Inocência
Sinto falta de meus textos leves. Daqueles que, levemente irônicos e
ácidos na medida certa, arrancam alguns sorrisos ou mesmo gargalhadas dos meus
leitores. Atualmente, sinto as palavras fluirem de uma forma muito
densa. Retratando acontecimentos densos. Por que não consigo enfatizar os
momentos de descontração? Bem que quero... mas está difícil. Enquanto
isso, o silêncio reinará por aqui.
P.S.: O título do post é também título de uma obra de Agatha
Christie. Para entender a relação do mesmo com o que escrevi, basta ler a obra.
Simples, não?
Escrito por Super Body às 15h49
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Incoerência
Se Fulaninho falsifica uma assinatura para obter vantagens para si, ele pode
ser chamado de desonesto. Se Fulaninho agride fisicamente uma pessoa na rua,
ele pode ser chamado de violento. Neste segundo caso, Fulaninho também pode ser
chamado de desonesto, pois agressão física é crime e, na teoria, quem comete um
crime é desonesto. Porém, entre violento e desonesto, a maioria das pessoas
com um vocabulário razoavelmente amplo utilizaria a primeira definição para
classificar o Fulaninho. Ou agressivo. Ou raivoso. Aliás, se não fossem dadas
opções de palavras, talvez ninguém classificasse Fulaninho como
desonesto. Então, somente eu, na minha santa ingenuidade, sou capaz de
engolir, temperada com pitadinhas de culpa, uma expressão que não cabe no
contexto.
Yeah, I'm back! And I don't know if I should.
Escrito por Super Body às 11h11
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How Do I Feel?
"I'm not calling for a second chance; I'm screaming at the top of my voice!"
Escrito por Super Body às 16h09
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Ditados Velhos São Evangelhos. E Ditados Novos?
"Se você não quer ver o palhaço, então não vá ao circo." (provérbio
não-tão-popular-ainda, copyright 2008 by LuiGu)
A pergunta que insiste em não calar é o que diabos um "provérbio" assim tem a
ver com aulas de Body Pump? Quem sabe, sabe!
Escrito por Super Body às 14h55
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A Última Nota
Escrever esta historinha foi uma experiência fascinante! Na verdade,
fascinante era justamente o retorno que vocês me davam. Capturar a emoção de
cada leitor e saber o que eu estava causando era o que me inspirava a escrever e
a tentar manter o suspense a cada palavra. E, por vocês terem sido os
personagens principais da historinha que escrevi (e não os meus personagens de
ficção), gostaria de compartilhar com vocês cada sensação, cada inspiração e
detalhes no texto que inseri propositalmente. Alguns percebidos por vocês,
outros não. Mas, de qualquer modo, tentarei colocar os significados de cada
um.
O Início: Por que escrever uma historinha? Eu
estava com saudades de escrever para o blog, há tempos não publicava com tanta
freqüência. E uma história dividida em partes me obriga a continuá-la até o
final. Sobre o que escrever? Eu tinha uma idéia na “gaveta” há algum
tempo. Uma idéia que era um pouco baseada em desejos reais, um pouco baseada no
que causou este desejo real: o último episódio da primeira temporada de
Queer as Folk (fiz questão de mencionar isto na última
parte). A história já estava pronta, então? Não. Ao começar a
escrever, eu tinha em mente dois personagens masculinos, que faziam o mesmo
curso e que iriam dançar juntos a última valsa do baile de formatura, aquela em
que você dança com o(a) namorado(a) ou com um(a) amigo(a) especial. Nada mais
que isso. Realmente uma obra aberta.
O Título: Por ser uma obra aberta, o título era algo
difícil de definir no começo. Mas uma história não pode começar sem título,
certo? Então, voltando ao assunto recorrente (Queer as
Folk), lembrei do nome da música tocada no final do episódio:
Save The Last Dance For Me, cuja tradução seria “reserve a
última dança para mim”, e resolvi batizar a obra de “A Última
Dança”.
Parte I: Escrevi a primeira parte sem ter a menor noção
do que seria a história completa. Tanto que, mesmo com a idéia inicial de dois
personagens masculinos, deixei aberta a possibilidade de ser um casal hetero.
Por que não? Deixaria vir as idéias...
Parte II: Foi uma surpresa a quantidade de comentários e
de visitas da primeira parte. Assim, resolvi que esta história não poderia ser
simples, teria que dar algumas voltas para se tornar interessante. Foi também
aqui que decidi: realmente seria um casal gay. Mas, quando escrevi esta parte,
resolvi despistar um pouco. Induzi a todos um pensamento: “quem ligou era a
pessoa do primeiro diálogo”. Eu já sabia que não seria, mas duvido que alguém
tenha pensado nisso nesse momento. Revelei o nome de um personagem: Luciano, o
primeiro L.
Parte III: Para completar a reviravolta que comecei na
parte anterior, entra o meu segundo L: Larissa! Aqui consegui o objetivo que
pretendia, colocar na cabeça de vocês a pergunta: “Então era MESMO uma mulher?”
Sei que decepcionei alguns, mas aqui eu imaginei que não parariam de ler (eu não
pararia). Reforcei o pensamento de ligar o primeiro diálogo a Larissa. Aqui eu
já sabia que Larissa nem seria um dos formandos.
Parte IV: Para mim, a pior parte da história, por não
acrescentar nada. Exceto por um único detalhe (percebido pela Cíntia):
apareceram as primeiras reticências da história. Sim, Luciano diria: “Larissa,
eu gostaria que você não insistisse nesse assunto. Afinal foi o que fez com que
nos afastássemos” quando foi interrompido pela irmã. É claro que, para manter o
suspense, a interrupção aconteceu no momento exato. Devo ter deixado escapar
algo, porque nesta parte vocês perceberam que a Larissa não era o amor de
Luciano, afinal.
Parte V: Aqui, eu teria duas opções: terminar a história
na próxima parte ou deixar rolar mais um tempo. Optei por deixá-la mais longa e
aumentar o suspense, pois ainda tinha idéias para isso. Ainda assim, essa parte,
para os mais atentos, faria uma revelação: o primeiro diálogo jamais
poderia ter sido entre Luciano e Larissa. Na primeira parte, a pessoa que recebe
o convite para dançar a valsa diz que não vê sentido nesse tipo de ritual,
enquanto a pessoa que convida parece gostar. Ora, aqui já sabemos que foi
Luciano quem convidou Larissa. Ele diz que não vê sentido nisso, enquanto ela
diz que acha mágico. Hesitei MUITO em publicar esta parte, mas resolvi
dar uma chance de desvendar o mistério para os mais atentos. Se alguém percebeu,
não chegou a comentar, o que me deu um grande alívio. Talvez eu tenha tirado
o foco deste detalhe ao fazer a entrada do terceiro L da história: Leandro. É
claro que, intencionalmente, eu fiz parecer que o Leandro exercia posse sobre a
Larissa. Para isto, ele ficou até um pouco antipatizado e isto não era a
intenção. Paciência, coisas que acontecem em uma obra aberta.
Parte VI: Se eu tivesse optado por terminar a história
aqui, Leandro faria as revelações e dançaria a última valsa com Luciano. Este
final me pareceu bom, mas prorrogar a história, apesar das dificuldades em
concluí-la depois, me pareceu mais desafiador. A idéia de um baile particular
surgiu nesse momento. Então, para não revelar nada, pulei para a manhã
(tarde?) seguinte, onde a irmã ganha um destaque maior na história; porém, como
homenagem a Bill Watterson, que nunca deu nomes aos pais do Calvin, resolvi não
dar nome aos parentes de Luciano e a irmã continuou apenas como “irmã” ou
“maninha”. Ela dá uma idéia do que poderia ter ocorrido no baile. Vale
ressaltar que, após escrita, esta parte ficou tão grande que foi dividida: a
outra metade virou a sétima parte. “Chorou horrores”, dito por Luciano, é uma
frase tipicamente gay. Aqui, confesso que estava tendo muito prazer em aguçar
a curiosidade de todos vocês.
Parte VII: Escrever a mentira de um personagem é muito
bom! Como a mentira é tão fraca e deslavada, eu queria que todos lessem
pensando: “Não acredito que é esse o desfecho! Que coisa mais sem graça!” e
fossem morrendo de raiva enquanto lessem. Também fiquei na dúvida se a irmã
desmentiria nesta parte ou na próxima. Decidi que seria nessa por dois
motivos: 1 – Seria um desfecho mais emocionante, uma guinada do tipo “o que
vocês leram hoje não serviu para nada”. Coisa que Lost vive
fazendo... 2 – Se alguém reclamasse e, no dia seguinte, eu publicasse a parte
onde a irmã o acusa de mentir, poderiam dizer que eu cedi a pressões para
escrever um novo final. E isto, definitivamente, não era verdade, mas talvez eu
não convencesse alguns São-Tomés. Pelo visto, acertei na decisão, pois recebi
muitos comentários positivos com este desfecho. Algumas partes da mentira
dele entraram na cabeça de vocês, principalmente o fato de Leandro ser
comprometido com Larissa. Atentando para um detalhe adicional: novas
reticências com uma frase idêntica à da quarta parte. A irmã diria: “Luciano, eu
estou pasma com a sua naturalidade em mentir” e, claro, foi interrompida. A
partir daí, todos os comentários dela foram irônicos, o que não dá para perceber
num texto escrito.
Parte VIII: Eu não revelaria a verdade a vocês, mas dei
um jeito de Luciano contar à irmã. Isto foi fácil. Outra dica importante é
que Luciano não contaria a verdade aos pais, mesmo com o apoio da irmã. Também
outra dica clara de que ele era gay, mas acho que a essa altura ninguém tinha
dúvidas. Uma grande mudança ocorreu no final desta parte. Inicialmente, o
desfecho seria com Luciano encontrando com Larissa. Mas, escrevendo, pensei:
“Por que não confundi-los mais um pouco?” Afinal, Larissa não era uma formanda,
mas a irmã de um formando (isso já estava na idéia inicial). Então, incluí o
quarto L na história: Lucas. Até então não programado para existir, além de
acrescentar mais um mistério, serviu também como homenagem a um dos inspiradores
deste pequeno conto. E, obviamente, a minha pequena brincadeira de primeiro
de abril, rendeu muito riso solto.
Parte IX: Haveria uma parte extra aqui: o papo entre
Luciano e Larissa. Com a entrada de Lucas e com a divisão já ocorrida na sexta
parte, resolvi deixar todo o mistério para ser explicado na parte final e pulei
a história para o momento em que Luciano deixa a casa onde fora. Para mim,
superando o próprio final, esta é a melhor parte da história! Adorei escrevê-la.
Visualizei cada detalhe, cada movimento ao escrever. Adorei o
resultado! Revelei que o local do encontro era o salão onde tinha acontecido
o baile; quis segurar esta revelação também para o final, mas não deu, poderia
confundir muito.
Parte X: Apesar de revelar tudo, esta parte ficou grande
e corrida. Sinceramente, não gostei do resultado final. Não deu para ser
romântico aqui pela extensão do texto. Deu a impressão que acelerei para acabar.
Na verdade, eu não tinha onde cortar o texto mantendo o mistério e preferi
explicar tudo de uma vez. Era isto o que eu temia quando resolvi aumentar a
história: não explicar tudo de forma satisfatória. Mas todas as lacunas foram
preenchidas, todos os mistérios foram desvendados e o tão solicitado final feliz
aconteceu.
Acho que isso é tudo. Se quiserem saber de algo que não coloquei aqui, é
só perguntar. Agora posso responder, o mistério acabou. Obrigado pela
presença e comentários.
Escrito por Super Body às 17h09
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A Última Dança - Parte X
Vivendo aquele momento de sonho, em um cenário preparado exclusivamente para
ele, Luciano se pôs a recordar. Quando entrou na faculdade de Odontologia,
conheceu Lucas na primeira semana de aula. A amizade entre os dois foi
instantânea. Desde então, durante todo o período de graduação, sempre estudavam
juntos, participavam das mesmas equipes nos trabalhos em grupo. Até mesmo nas
práticas das clínicas e nos plantões conseguiam horários onde trabalhariam
juntos. Eram como irmãos, inseparáveis. Na alegria e na tristeza, podiam
contar um com o outro. Trocavam confidências. Lucas foi a segunda pessoa para
quem Luciano confessou ser homossexual, a primeira tinha sido sua irmã. Nem por
isto, a relação entre os dois ficou abalada. Ao contrário, fortaleceu-se mais.
Coisas que só uma amizade real consegue explicar. Com tantas idas e vindas de
um à casa do outro, Luciano conheceu a irmã de Lucas: Larissa. E, como era de se
esperar com tanta convivência, Larissa e Luciano também se tornaram
amigos. Pelos quatro anos do tempo de graduação, Luciano praticamente passou
a fazer parte da família de Lucas e Larissa, assim como os dois também foram
muito bem recebidos pela família dele. Faltando um mês para o baile, Luciano
havia convidado Larissa para dançar a valsa de formatura com ele, ela tinha
aceitado. Porém, no mesmo dia do convite, ela se declarou apaixonada por
Luciano. Ele disse que tudo o que sentia por ela era amizade. Por alguns dias,
ela ainda insistiu em um relacionamento amoroso, mas Luciano dizia que não era
possível. Até que ela o procurou em um momento de impulso, decepcionada,
sentindo-se rejeitada e lhe disse: - Pois bem, se você não me quer como
namorada, eu não te quero como amigo! Desapareça da minha vida, desapareça da
minha casa e só volte a me procurar quando quiser algo sério comigo! Ele
ainda tentou fazer com que ela voltasse atrás, mas não teve sucesso. Perder a
amizade de Larissa fez com que aquelas semanas parecessem intermináveis para
Luciano. Nos eventos da formatura, ela simplesmente o ignorava. Isto lhe partia
o coração. Estes eventos, se já lhe pareciam bobos, agora eram uma tortura. Até
que recebera o telefonema na noite do baile: - Me desculpe ligar assim, e eu
sei que está em cima da hora, mas não consigo parar de pensar naquele seu
convite. Talvez você nem se lembre e vá achar que é bobagem minha. Talvez o fato
de termos brigado nem me dê o direito de ligar. Mas eu preciso dizer. Se ainda
estiver de pé a proposta que você fez de dançarmos, você e eu, a valsa de
formatura... Bom, eu liguei para dizer que sim, aceito! - Claro que está de
pé, Larissa. Mas o que fez você mudar de idéia? - Fui precipitada em me
afastar de você. Gosto muito de você. - Eu também gosto muito de você. Sua
amizade me faz muita falta. - Então, vamos dançar juntos? Quem iria dançar
com você? - Minha irmã, mas, nas palavras dela, isso seria uma tortura. Vai
adorar ser substituída. Você e o Lucas já estão indo? - Estamos saindo
agora. - Encontro vocês lá, então. Luciano desligou o telefone e, sorrindo
pela primeira vez desde que tinha acordado, falou para si mesmo: - Uma ótima
surpresa! Ele não sabia que seria apenas a primeira de uma seqüência de
surpresas. A segunda surpresa viera quando Leandro os abordou no baile e
disse a Larissa: - Você não vai dançar a valsa com este cara. Não vai mesmo!
Porque este cara é o amor da minha vida e, mesmo estando afastado dele há um bom
tempo, eu ainda tenho prioridade. Fiz o convite a ele há mais de dois anos. Ele
prometeu pensar. E então, Luciano? Qual é a sua resposta? Luciano ficou
lívido. Larissa arregalou os olhos. Leandro continuou ali, sorrindo,
inabalável. Leandro sempre tivera o dom da auto-confiança. Chegava a ser
mesmo pedante para aqueles que o conheciam superficialmente. E fora exatamente
esta a a impressão que Luciano tivera do colega de faculdade nas primeiras
semanas. Portanto, não se aproximaram e eram indiferentes um ao outro. Até
que um dia, em uma boate gay, se esbarraram. Nenhum dos dois esperava encontrar
o outro lá. Trocaram algumas palavras. Luciano percebeu que o colega não era tão
arrogante. Leandro percebeu que, apesar da timidez, o outro trazia sentimentos
interessantes dentro de si. Na mesma noite se beijaram, transaram e começaram a
namorar. Se amavam. Porém, Leandro era muito romântico e Luciano era mais
realista. Com isto, crises constantes surgiram e o namoro acabou depois de três
anos juntos. Não tinham trocado uma palavra desde o fim do namoro até agora.
E Leandro quebrara o silêncio de uma maneira constrangedora. - E então,
Luciano? – Leandro insistiu. – Vai dançar a última valsa comigo? - Leandro,
não dá para discutir isso aqui, agora. Leandro ajoelhou-se aos pés de Luciano
e disse: - Nem se eu disser que te amo? Que durante todo este tempo que
passamos separados jamais me esqueci de você? Que quero passar o resto da minha
vida com você? Luciano segurou-o pelas mãos e fez com que ele se levantasse
rapidamente. Algumas pessoas estavam olhando. Leandro insistiu: - Vou
subir ao palco e declarar meu amor por você. Vou convidá-lo pelo microfone a
dançar comigo. - Você não vai fazer nada disso! – disse Luciano. – Você vem
comigo agora! Precisamos conversar. Larissa tinha começado a chorar. Disse,
entre soluços: - Então é isso? Por isso é que não quis namorar comigo? -
Larissa, me desculpe. Podemos conversar depois? Eu preciso tirar esta idéia
absurda da cabeça do Leandro. Vamos ter que sair do baile agora, não vamos
demorar. Por favor, avise ao Lucas que o Leandro e eu saímos para conversar, que
ele peça à organizadora que atrase a valsa até voltarmos, ele vai saber como
convencer a mulher. Por favor! Faça isso! - Luciano, você ainda vai dançar a
valsa comigo? - Prometo que sim, Larissa. Mas agora, estamos indo. Luciano
e Leandro saíram do baile. Pegaram o carro, andaram alguns quarteirões e pararam
em um local isolado, onde pudessem conversar. Ambos confessaram que ainda se
amavam. Estavam reatando? Claro que sim! Leandro insistia que deveriam,
portanto, dançar juntos. Luciano disse que não poderia, não se sentiria à
vontade. Enfim, depois de cada um colocar os seus argumentos, Leandro cedeu e
resolveu respeitar o tempo de Luciano. Mas fez com que ele prometesse estar no
salão de festas no final da tarde seguinte, porque prepararia uma surpresa para
ele. Luciano concordou. Voltaram para o baile. Luciano dançou a última
valsa com Larissa. Depois de dançarem, Luciano pôde conversar um pouco com
Larissa e prometeu que iria à casa dela na tarde seguinte, sem falta, explicar
tudo o que acontecera. Também sugeriu que ela pedisse a Lucas que estivesse
presente à conversa. Curtiu bastante a festa e, mais tarde, saiu com Leandro,
avisando apenas a irmã por meio de um torpedo no celular. Passaram o fim da
madrugada juntos em um motel. No café, Leandro lhe entregou um bilhete e
disse: - Abra quando chegar em casa. E não se esqueça do nosso compromisso no
final da tarde. No salão de festas. Estarei esperando por você lá. A porta
estará destrancada, chegue e entre. Você saberá o que fazer a seguir. À
tarde, antes de ir ao encontro de Leandro, Luciano cumpriu o compromisso feito
com Larissa. Foi à casa dela, onde, junto com Lucas, teve uma conversa com ela
explicando a situação. Larissa chorou muito, mas compreendeu que só poderia
esperar de Luciano uma verdadeira amizade. Os três se abraçaram e prometeram que
a amizade iria durar eternamente. E agora, Luciano estava vivendo um momento
mágico. A reconciliação, aguardada com tanta ansiedade, mas sem a menor
esperança, finalmente acontecera. A banda estava tocando a música que era
deles: Save The Last Dance For Me. Fora a música que inspirara
o convite de Leandro para dançarem juntos, depois de assistirem a um episódio de
Queer as Folk. O romantismo de Leandro não o deixara esquecer
de preparar mesmo o menor detalhe. Leandro, também de smoking, o aguardava na
pista, aquele sorriso lindo, os olhos brilhantes. Luciano se aproximou. Eles se
abraçaram. - Me permite esta última dança? – Leandro perguntou. - Claro
que sim. Esperei por ela durante anos. - E valeu a pena? - É um sonho do
qual não quero acordar nunca mais! Começaram a dançar e se beijaram
longamente, em uma promessa de romance para toda a vida.
FIM
Escrito por Super Body às 14h00
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A Última Dança - Parte IX
Quando Luciano saiu da casa e entrou no carro, sentiu como se um grande peso
tivesse sido tirado de seus ombros. Um sorriso enorme se estampava em seu rosto.
Estava feliz. Feliz por ter acabado de resolver uma situação que vinha se
arrastando há tempos e que o magoava profundamente. E, principalmente, feliz
porque a partir de agora iria viver o seu grande amor. Tirou do bolso o
bilhete que recebera há menos de vinte e quatro horas e leu novamente as
palavras: "Não há como fugir ao destino. Está escrito nas estrelas. A última
dança ainda é minha!" Dirigiu-se ao local combinado. - Isto é uma loucura!
– falou sozinho. – Quem além de você marcaria um encontro exatamente neste
lugar? Deve estar tudo sujo e bagunçado. Parou bem em frente sem nenhum
problema. A rua estava vazia, como esperado. Seguiu as instruções. Foi à porta,
ela estava destrancada. Abriu. Entrou. Fechou-a atrás de si. Ao contrário do
que esperava, estava tudo limpo e organizado. Parecia que tinha voltado um dia
no tempo. O salão onde acontecera o baile na noite anterior estava preparado
exatamente do mesmo jeito. Um smoking estava pendurado na entrada com outro
bilhete. Em letras garrafais, lia-se: "Vista!" e em letras menores o texto: "Em
qualquer lugar. Não tem ninguém olhando mesmo. Só eu." Riu sozinho, mas
obedeceu as ordens. Em alguns minutos, estava novamente vestido a rigor,
exatamente como na véspera. - Pronto! E agora? – gritou para o salão vazio. –
Quais são as próximas instruções? As luzes do salão se acenderam. As cortinas
do palco se abriram. A banda começou a tocar uma música lenta. O mestre de
cerimônias, no palco, chamou: - Senhor Luciano, favor dirigir-se à pista para
executar a última dança do baile de formatura. Ele foi andando em direção à
pista, lentamente, sem acreditar no que estava acontecendo. E, finalmente,
avistou, saindo de trás do palco, a pessoa que se dera ao trabalho de fazer tudo
isso.
(continua...)
Escrito por Super Body às 14h00
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