Super Body
As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar.
O que é isto?



Um Álibi A Tempo - Parte VI

Rafael olhou para o relógio. Eram quatorze e trinta. O próximo ônibus só passaria ali vinte minutos depois. Ele concluiu que não haveria perigo, pois às quinze e dezessete já estaria a dez quilômetros de sua casa, mas com certeza ainda não teria chegado à casa do professor.
Tudo correu bem. O ônibus não atrasou e exatamente às quinze e quinze Rafael descia no ponto mais próximo à casa do professor, na praça principal da cidade. Mas estava sentindo a bexiga cheia. Como já estava a uma distância segura, resolveu entrar no banheiro público da praça antes de ir se encontrar com Eduardo.
Ao entrar no banheiro e fechar a porta, Rafael sentiu-se um pouco tonto. Olhou o relógio. Quinze e dezessete.
O professor tinha razão. Poderia ser perigoso que duas forças vitais se encontrassem ao mesmo tempo. Estou a uma distância maior que a segura e senti algo estranho. Tenho que me lembrar de contar a ele.
Se dirigiu à casa de Eduardo. Chegando lá, tentou abrir a porta. Estava trancada. Rafael achou estranho. O professor raramente deixava a porta trancada. Tocou a campainha várias vezes, mas em vão. Ninguém atendia. Ele começou a se sentir apavorado. Precisava de um álibi. Eduardo deveria ter esquecido. Provavelmente se envolveu em alguma pesquisa no laboratório e perdeu a noção do tempo.
Rafael não poderia ir ao laboratório. Era perto de sua casa. Mas poderia telefonar. Comprou uma ficha e ligou. Escutou o telefone dar vários toques sem resposta. Ele se apavorou. Poderiam acusá-lo do crime.
(continua...)

Escrito por Super Body às 10h57 [   ] [ envie esta mensagem ]





Um Álibi A Tempo - Parte V

Às dezesseis e quinze, ligou para a polícia de um telefone público denunciando anonimamente o assassinato. Voltou para casa e ligou a televisão enquanto esperava. Ao chegar o horário, seguiu novamente as instruções de Eduardo e sentiu a mesma vertigem. Olhou para o sofá e lá estava o professor ansioso.
- E então? Como foi? Como você se sentiu? O que você fez lá? Você não saiu de casa, saiu? Me conte tudo, rápido, estou louco para saber.
- Calma. Uma pergunta de cada vez.
Rafael contou a Eduardo tudo o que havia sentido e as coisas que havia feito, exceto o crime que cometera. Achou melhor omitir este fato, pois o professor não compreenderia. O professor disse:
- Agora é melhor você descansar. Mas amanhã eu vou querer um relatório completo e por escrito da sua viagem no tempo. É para documentação da pesquisa, eu preciso ter tudo anotado. E não se esqueça. Sexta-feira você tem que estar em minha casa antes do horário que você partiu hoje.
- Não vou esquecer. E obrigado por me deixar fazer a experiência.
- Você não tem que agradecer. Você prestou um grande serviço à humanidade.
Principalmente eliminando aquele sujeito, pensou ele.

Durante os dias que se seguiram, Rafael se sentiu leve como há muito tempo não se sentia. Não tinha remorsos em ter acabado com aquele homem. Ele era um explorador e mereceu o fim que teve.

Na sexta-feira, saiu de casa no horário marcado para encontrar-se com Eduardo. Estava no ponto de ônibus, quando se lembrou que a arma não estava na gaveta onde a havia encontrado. Ele a havia retirado de lá para limpá-la e se esquecera de recolocá-la no lugar. Voltou correndo, pois a arma deveria estar onde a tinha encontrado, caso contrário ele não sabia o que poderia ocorrer.
Depois de ajeitar tudo, voltou ao ponto de ônibus. Perguntou a uma pessoa que estava por lá se o seu ônibus já havia passado.
- Acabou de sair. Se você tivesse chegado um minuto antes, teria conseguido pegá-lo.
(continua...)

Escrito por Super Body às 12h07 [   ] [ envie esta mensagem ]





Um Álibi A Tempo - Parte IV

Eduardo chegou à casa de Rafael um pouco antes das quinze horas. Ele já estava pronto para partir. Mais recomendações foram feitas e no horário previsto Rafael iniciou a viagem.
A sensação que teve foi de uma leve tonteira, mas se não fosse pelo imediato desaparecimento do professor da sala, teria a sensação de que nada havia acontecido. Chegara exatamente na mesma poltrona em que estivera sentado.
Levantou-se correndo para pôr o plano em prática. Não tinha muito tempo. Abriu a gaveta, retirou a arma e saiu. A este momento, deveria estar na casa do professor. Portanto, ninguém poderia acusá-lo de nada. Teria o álibi perfeito.
Chegou à casa do agiota. Bateu à porta e este veio atender.
- Ora, que surpresa! – exclamou ele. – Veio mais cedo do que o combinado. Com certeza deve ter conseguido o dinheiro para o pagamento.
- Claro que sim. Detesto estar devendo o que quer que seja a alguém. A propósito, o fato de eu ter chegado mais cedo atrapalhou alguma coisa?
- Não. Estou sozinho em casa e não estava fazendo nada importante. Liguei o micro e fiquei brincando com alguns joguinhos novos.
- Espero que tenha se divertido.
- Mas vamos ao que interessa. O motivo que o trouxe aqui.
- Se você está com tanta pressa...
Rafael tirou a arma, até então escondida, da cintura e disparou-a três vezes contra o peito de seu interlocutor. Disse ironicamente:
- Eu preferiria ter deixado você fazer um último pedido, mas você estava tão ansioso...
E saiu, deixando seu credor morto na sala. Havia tomado todos os cuidados para não tocar em nada nem deixar vestígios de sua presença. A arma era clandestina, logo as ranhuras da bala também nada comprovariam. Estava livre.
(continua...)

Escrito por Super Body às 09h52 [   ] [ envie esta mensagem ]





Um Álibi A Tempo - Parte III

Rafael voltou correndo ao laboratório.
- Professor! Quero experimentar uma viagem no tempo!
- Não posso permitir, Rafael. Os cálculos ainda não estão concluídos e pode ser perigoso!
- Não importa. Eu assumo todos os riscos. Por favor, me deixe tentar. Seria uma viagem curta. Para amanhã, ou daqui a dois ou três dias. Por favor!
- Bem, se você está disposto... De qualquer modo eu teria que contratar alguém. Mas você não quer esperar um pouco mais? Um mês ou talvez dois.
- Não. Eu quero ir hoje.
- Você não poderá encontrar consigo mesmo em hipótese alguma. Está ciente disto?
- Sim, claro. Depois que eu voltar não me aproximarei dos lugares onde estive. Manterei a distância segura.
- E os horários que eu passar para você terão que ser obedecidos rigorosamente. Concorda?
- Com tudo o que for necessário. Agora me diga como farei.
O professor explicou a Rafael como deveria ser feita a passagem para a quarta dimensão e a saída em outro tempo.
- Os horários que estou lhe passando são os dados mais importantes – explicou. – Não é a todo momento que a passagem é tão fácil. Em alguns, é até impossível. Não vá perder a hora ou ficará preso no tempo.
Rafael sairia às quinze horas e dezessete minutos da terça-feira para chegar ao mesmo horário da sexta-feira. Permaneceria na sexta-feira até as dezessete horas e oito minutos e voltaria, chegando à mesma hora da terça-feira.
- Eu pensei que voltaria na mesma hora da partida. Por que tenho que chegar no horário em que eu voltar do futuro?
- Porque seria perigoso que você chegasse alguns segundos antes de partir e haveria o encontro das forças vitais. Você vai sair da sua casa e vai chegar ao mesmo lugar. Vou estar lá desde a sua saída até que você volte. E na sexta-feira, você passa este horário na minha casa, para sua segurança. Moramos distantes o suficiente. Alguma dúvida?
- Nenhuma.
- Então vá para casa e descanse. Estarei lá alguns minutos antes da sua partida.
(continua...)

Escrito por Super Body às 16h42 [   ] [ envie esta mensagem ]





Um Álibi A Tempo - Parte II

- Como foi que o senhor descobriu isto?
- Ora, mas isto era tão óbvio, não sei como gastei tanto tempo para deduzir estas expressões.
- Quer dizer então que podemos conhecer outras épocas usando isto?
- Sim, mas não deve ser utilizado por enquanto. Ainda estou pesquisando a melhor maneira de fazê-lo.
- O senhor já experimentou?
- Não. Mas vou tentar assim que for possível. Enquanto isto, não quero que você comente com ninguém.
- Pode deixar. Não vou dizer nada.

Aquela noite Rafael não conseguiu dormir. Preocupado com o dinheiro que teria que conseguir até o fim da semana, mas principalmente pensando na nova descoberta do professor. Se as viagens no tempo fossem possíveis...
De repente, lhe veio uma idéia. Poderia voltar ao passado e avisar a si mesmo para não pedir o dinheiro emprestado, que tudo daria errado. Bastava convencer o professor a deixá-lo viajar. Então tudo estaria resolvido.

No outro dia, chegou cedo ao laboratório. Eduardo estranhou.
- O que você está fazendo aqui a esta hora? Seu horário de trabalho só começa às treze horas. Algum problema?
- Não. Quero conversar com o senhor. A respeito das viagens no tempo.
- Você não disse nada a ninguém, disse?
- Claro que não. Mas eu gostaria de saber se é possível uma pessoa voltar ao passado ou ir ao futuro e encontrar a si mesmo em outra época.
- Vou responder por partes. Não é possível viajar ao passado, somente ao futuro. No futuro você pode voltar para o presente porque a passagem para a quarta dimensão fica aberta até você passar por ela novamente, mas somente a pessoa que entrou por ela para ir ao futuro é que consegue sair. E quanto ao fato do encontro da mesma pessoa, infelizmente eu ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre isto. Mas até onde os cálculos foram desenvolvidos, posso lhe garantir que é extremamente perigoso que as mesmas forças vitais se aproximem em uma mesma época.
- Não entendi.
- Eu explico. Você tem uma força vital dentro de si, que o faz andar, respirar, enfim, todas as suas ações são causadas por esta força vital, que alguns preferem chamar de alma. Pois bem, se você viajar ao futuro, por exemplo, e encontrar a si mesmo, a força vital do seu eu do presente e a do seu eu do futuro serão a mesma força vital existindo ao mesmo tempo e para isto há duas hipóteses muito prováveis. A primeira é que elas serão atraídas uma pela outra, puxando os dois corpos um contra o outro e esmagando-os. A outra hipótese é de que elas sofrerão uma repulsão tão grande que faria com que os dois corpos se despedaçassem. Por isso, a viagem no tempo é ainda perigosa.
- Interessante. E se uma certa distância fosse mantida?
- Não posso afirmar com certeza, mas considero uma distância de dez quilômetros das forças vitais como segura.

Depois da conversa com o professor, Rafael foi embora desanimado. Não poderia nunca encontrar consigo mesmo. A dívida ainda constituía um problema. Só se...
Poderia dar certo! Era uma idéia tão fantástica e absurda que só poderia dar certo! De repente o plano lhe passou pela cabeça completo, sem falhas, claro, teria que ser assim!
(continua...)

Escrito por Super Body às 09h02 [   ] [ envie esta mensagem ]





Um Álibi A Tempo - Parte I

- Vou lhe dar somente uma chance. Somente uma. Até sexta-feira às cinco da tarde e nenhum minuto a mais. Esteja na minha casa no prazo e com o dinheiro. Passar bem.
Rafael escutou um estalo logo após as palavras. Ele havia desligado o telefone na sua cara. Estava nervoso, e com razão. Rafael ainda não conseguira o dinheiro para pagar a dívida e não tinha idéia de como arranjá-lo tão rapidamente. Se arrependimento matasse...
Na época, pareceu um bom negócio. Seria um investimento seguro, mas as coisas não correram como deveriam. Tudo conspirou para que a lavoura não fosse para a frente. A geada em março e depois as pragas, sem contar sua demissão inesperada. Tivera um grande prejuízo. E teria que pagar o agiota até sexta-feira. E hoje já era segunda-feira. Não seria difícil pagar a dívida se ainda estivesse no emprego anterior. Certamente já estaria liquidada. Mas nas circunstâncias atuais era impossível imaginar uma saída. O salário que ganhava auxiliando um famoso professor de Física era ridículo e mal dava para se sustentar.
O professor Eduardo não precisava realmente de um auxiliar, mas devido à grande amizade com Rafael, contratara-o mais para ter companhia em seu trabalho do que por qualquer outro motivo. Rafael era como um boy de laboratório: além de ir ao banco e fazer pequenos serviços na rua, ajudava guardando os materiais de pesquisa no seu devido lugar e mantendo-os razoavelmente limpos. Era, apesar do pequeno salário, eficiente e achava o trabalho interessante.
Se dirigiu para o laboratório apressado e nervoso. Ao chegar, percebeu que Eduardo estava mais efusivo do que de costume. Perguntou se havia algum motivo especial.
- Não deveria estar contando isto para você, Rafael. Mas não consigo guardar só para mim. Veja só estes resultados – ele pegou um papel todo rabiscado com números e contas e entregou a Rafael. – Compare estas integrais com as funções escritas abaixo. Não é maravilhoso?
Rafael olhou para o papel sem entender uma linha sequer e respondeu:
- O senhor poderia me explicar o significado disto tudo?
- Ora, preste um pouco mais de atenção. Tudo está escrito de uma forma tão óbvia!
O que Eduardo chamava de óbvio era por demais complicado para ser entendido por um ser humano com inteligência normal. Mas não adiantava discutir. Com muito tato, Rafael disse:
- Realmente, agora estou percebendo. É uma grande descoberta.
- Grande? É fenomenal! A passagem para a quarta dimensão vai possibilitar as viagens no tempo.
(continua...)

Escrito por Super Body às 11h25 [   ] [ envie esta mensagem ]





Nova "Novela" no Blog

Fala, galera!!!
Como há tempos não publico nada e parece que as idéias para novos textos não virão tão facilmente, resolvi tirar da gaveta (literalmente) um conto que escrevi em 1995 e publicá-lo em partes para vocês.
No ano passado, a minha "novelinha" fez muito sucesso e causou um certo frisson entre os leitores. Eu não espero que este conto meu tenha o mesmo resultado por vários motivos:

1. No ano passado, era uma história romântica e o suspense todo ficava por conta de "quem é quem?". Este conto é algo de ficção científica com pitadas de policial. Por isso, no início, ele é bem técnico e eu peço paciência a vocês com as primeiras partes, mas elas são fundamentais para o entendimento da história completa.
2. Apesar de existir muito de mim no estilo deste conto, há que se lembrar que ele foi escrito por um "garoto" de 22 anos. Ontem, enquanto digitava, senti ânsia de mudar muita coisa (hoje eu o escreveria BEM diferente), mas me contive e não mudei sequer uma vírgula de lugar. Ou seja, ele está exatamente como foi concebido.
3. Querendo ou não, a história foi escrita em uma época onde internet, celulares e toda a tecnologia, hoje disponíveis a cada esquina, não existiam com esta força toda. Portanto, serão risíveis várias partes da história, como por exemplo, quando o personagem principal compra uma "ficha" para falar em um telefone público...
4. Da primeira vez foi possível fazer as publicações religiosamente no mesmo horário todos os dias (14h em ponto!); este ano, isto não acontecerá, embora eu vá enviar e-mail's para avisar sobre a publicação de cada parte. Também não haverá publicações aos sábados e domingos.

Mesmo com todas estas considerações, ainda assim eu reforço o pedido que vocês perdoem as falhas de concordância e outros erros gramaticais (que, propositalmente, também mantive como no original) e espero que apreciem um dos meus primeiros textos.
Beijos a todos!!!

Escrito por Super Body às 11h18 [   ] [ envie esta mensagem ]



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Sou: Homem, homossexual
Tenho: 36 anos
Nasci em: 03/março/1973
Meu signo é: Peixes
Com ascendente em: Gêmeos
Cidade: Uberlândia - MG
Falo: Português
Arranho: Inglês
Trabalho com: Informática e fitness
Dou aulas de: Atualmente nada
Mas posso dar aulas de: Body Attack (certificado), Body Pump (certificado), Body Step (certificado), Body Combat (certificado) e Power Jump (certificado)
Último livro que eu li: A Cabana - William P. Young
Classifico como: *****
Livros que estou lendo: Pesadelos e Paisagens Noturnas (Volume 1) - Stephen King / Babili - Jairo Avellar (médium) e Palminha (espírito)
Total já lido: 65% / 24%
Livro de cabeceira atual: Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social - Fernando Braga da Costa
Último filme que eu vi: Jogos Mortais VI
Classifico como: ****
E-mail: luigusousa@yahoo.com.br
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