"Causos" do Rio - Parte VI - Any Given Sunday
Acordei relativamente cedo, tomei café da manhã com vista para o mar (eu jamais vou me cansar de dizer isso) e fui para Angra. Confesso que, antes de ir, uma vozinha lá no fundo dizia: "Não vá! Vá curtir outras coisas no Rio mesmo!", mas acabei por abafar minha intuição, pensando que era preguiça pura. Eu devia tê-la escutado. Ou escutado as dicas do universo; afinal, lembrem-se, era 19 de abril (Dia do Índio) e, para o programa que escolhi para este dia, o arco e flecha deveriam ser compulsórios!!! Nunca comemorei o Dia do Índio de maneira tão apropriada! Aqui, qualquer um já deve ter percebido que eu simplesmente não gostei de Angra!!! Mas vamos aos fatos. Sinceramente, nem tudo foi tão ruim. Dirigir com ar condicionado e ver paisagens tão bonitas a caminho de lá foi bem agradável. Chegando a Angra, você vê a cidade de cima e a vista é sem igual - maravilhosa! Quando você entra na cidade, tudo fica diferente! De um lado o mar; não uma praia, mas um porto! E do outro, a cidade - morro puro! Você tem a sensação de estar cercado por um "favelão". É o que basta para que a beleza vista há alguns minutos se dissipe das suas lembranças. Ainda andei de carro pela Estrada do Contorno. Há hotéis, pousadas, pequenas praias ao longo desta via, mas nada exatamente atraente para mim. Estacionei o carro, andei um pouco a pé pela cidade e isto também não mudou minha opinião. "É... Vamos encarar!!! Um dia perdido!!! E ainda tenho cento e cinquenta quilômetros de estrada para voltar ao Rio!!!" Dirigi de volta, cansado, decepcionado. Mais tarde, nesse mesmo dia, o Luiz Flávio me disse que o bom de Angra é pegar um barco e visitar as ilhas. Não sei se algum dia me animarei a tirar a prova. E, por falar em Luiz Flávio, quando cheguei ao Rio, tomei um banho e fui encontrá-lo no Downtown. Estava com saudades dele, não nos víamos há muito tempo! Jantamos. Conversamos muito. Ele me contou como estava sendo morar no Rio, como tinha sido a adaptação. Aliás, assunto foi o que não faltou! Depois que nos despedimos, liguei para o Nando e combinamos de ir à Le Boy. Desde que me entendo por adulto, sempre tive vontade de conhecer esta famosa boate gay. Nando estava em Niterói. Eu estava na Barra. Combinamos de nos encontrar em Copacabana. Saí do Downtown, segui as placas e me dirigi ao local combinado. Depois de andar um pouco, obedecendo corretamente as placas, eis que me deparo com o mar, majestoso, imponente, com um sorriso irônico por estar do meu lado esquerdo - o lado errado de novo! (continua...)
Escrito por Super Body às 11h02
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"Causos" do Rio - Parte V - Sábado de Sol
Se por um lado eu via o oceano à minha direita, por outro lado as placas continuavam apontando a Barra na direção para a qual eu seguia. E agora? Em quem acreditar? No mar ou nas placas? Vejamos. O mar é cheio de humores variáveis. Apresenta momentos de maré alta e maré baixa. Em alguns dias está calmo, em outros bastante agitado. Durante o dia suas águas são mais frias, à noite esquentam... Ora, ele não podia perfeitamente ter mudado da esquerda para a direita? Assim? Num piscar de olhos? Eu nem me surpreenderia se eu visse o mar "no teto", acima da minha cabeça... As placas, por sua vez, não. À noite, durante o dia, chova ou faça sol, elas estão sempre lá, no mesmo lugar, apontando para a mesma direção, imutáveis, constantes. São bem mais confiáveis! Resolvi confiar nas placas, quem estava errado era o mar! Claro, óbvio, evidente! (Só abrindo parênteses, alguém acredita que "zoado" de sono como eu estava, eu conseguiria desenvolver um raciocínio desses? Na verdade, eu simplesmente continuei seguindo as placas e ignorei a presença imponente do mar à minha direita, nem pensei muito nisso.) Portanto, cheguei à Barra, cheguei ao hotel e esqueci o episódio do mar estar do lado errado. (Em um post futuro, esclarecerei o enigma...) Liguei para o Nando avisando que estava são e salvo no hotel. Dormi um pouco. Acordei e fui tomar café da manhã. O restaurante tinha vista para o mar! Foi a primeira vez que tomei café da manhã com vista para o mar! Nem tenho palavras para descrever a sensação! A seguir, contrariando o meu roteiro inicial, fui para a praia. Estava prevista uma visita aos pontos turísticos da cidade que adiei para segunda-feira, visto que a visita ao PROJAC não se realizaria (estavam suspensas). Aluguei uma cadeira e um guarda-sol e passei o sábado inteiro relaxando. Banhos de mar, pés na areia, muita água de côco, um desfile de pessoas lindas, um livro interessante... é preciso mais que isso para se sentir completamente de férias do universo? Fora os "lanchinhos" na Barraca do Pepê - cada um melhor que o outro! Bem no finzinho da tarde, já escurecendo, voltei para o hotel, tomei um banho, peguei o carro e fui para o Barrashopping. Novamente não segui o roteiro, que previa balada também para o sábado. Preferi um programa mais tranquilo. Jantei no Outback (uma picanha espetacular) e fui ao cinema ver Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, um filme que eu estava louco para ver e ainda (mesmo hoje) nem estreiou aqui em Uberlândia. Voltei para o hotel e não dormi tarde. Afinal, no dia seguinte, eu iria a Angra dos Reis. (continua...)
Escrito por Super Body às 09h55
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"Causos" do Rio - Parte IV - Primeiras Emoções Noturnas
Apesar de ter sido a primeira vez que eu o via pessoalmente e o abraçava, encontrar o Nando dava a sensação de um "reencontro". Não sei se foi pelo fato de já termos conversado muito pelo MSN (e, algumas vezes, com câmera e microfone) ou se tem a ver com vidas passadas; a questão é que, de cara, me senti ao lado de um amigo íntimo que eu havia encontrado pela última vez há uns cinco minutos. Simples assim!!! Amigos de infância!!! Ou, se preferir, meu mais novo irmãozinho mais novo!!! Nos sentimos totalmente à vontade um com o outro e conversamos muito, ao som de Coldplay intercalado com outras bandas. E ele me salvou de ser chamado a noite toda de "Luish Gushtavo", dizendo para o pessoal: - Pô, gente, podem chamar de LuiGu!!! (Amiguinhos do Rio, me desculpem, mas eu tinha que zoar "um pouquinho" o sotaque de vocês!!! Hehehehehehehehe...) No Cine Lapa, também conheci o Cris (não sei se é Christian ou Cristiano) e mais uma galerinha de quem não vou lembrar o nome. Tiramos algumas fotos (as únicas que provam que eu realmente estive no Rio). Não ficamos muito, saímos de lá cedo. Eis um diálogo escutado no trajeto do Cine Lapa para o carro - eu conto o milagre, mas não conto o nome do(a) santo(a): Santo(a): De onde você é mesmo? Eu: Minas Gerais. Santo(a): Que cidade? Eu: Uberlândia. Santo(a): Lá tem praia? Eu: ... Todo mundo caiu na zoação em cima do(a) pobre santo(a): Pô, praia em Minas Gerais? Tá viajando? Para salvar o(a) novo(a) amigo(a), eu disse: Mas tem sim. O Praia Clube. Sete pessoas no carro, fomos para o Bob's da Tijuca. Comemos, conversamos mais. "Alguém" raspou os pedaços de alface do fundo das caixinhas e não perdoou nem mesmo uma alface que estava sobre a mesa, herança dos clientes que estiveram lá antes de nós! (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!) Foi uma noite super-divertida, certamente digna de ser registrada como minha primeira noite no Rio! Deixei a galera em casa por volta de 4h. Nando e Cessa queriam que eu ficasse com eles até amanhecer e só então voltasse para o hotel. Eu estava morrendo de sono, na verdade até um pouco entorpecido de sono. (Lembram da noite anterior? Não tinha dormido quase nada!) - Lu, não vai! É perigoso, você não sabe andar pela cidade, vai acabar se perdendo. A Barra é longe! - Gente, eu estou com muito sono! Prefiro ir! - Você pelo menos sabe para que lado deve ir saindo daqui? Tive que admitir: - Não faço ideia! - Cara, você não vai de jeito nenhum! Vai esperar amanhecer! Apesar da insistência deles, minha teimosia venceu: - Não se preocupem, vocês me indicam para que lado eu saio. A partir daí, basta seguir as placas para a Barra. Eles me deram a direção e o Nando ainda pediu: - Promete que liga quando chegar ao hotel? - Prometo. E fui. Tinha andado bem pouco quando a primeira placa indicando a direção da Barra apareceu. A partir daí, sem problemas, bastava segui-las. Qualquer pessoa que conheça minimamente o Rio de Janeiro sabe que no percurso da Zona Sul para a Barra, o oceano estará à sua esquerda. Portanto, qual não foi a minha grande surpresa quando o oceano apareceu... à minha direita!!! (continua...)
Escrito por Super Body às 11h31
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"Causos" do Rio - Parte III - Primeiras Emoções
Há um ano atrás, quando me mudei para BH, pegar a direção errada me apavorava. Porém, depois de tanto errar, acabei me acostumando a procurar retornos e retomar a direção correta. Portanto, desta vez, segui tranquilamente até encontrar um retorno (que demorou muito, diga-se de passagem, quase fui parar em Niterói) e segui o meu caminho para a Barra. Liguei o som do carro em uma FM ótima: a Paradiso (foi a estação que ficou fixa no carro do primeiro ao último dia). E posso dizer, dirigir pela orla ouvindo aquelas músicas me deu a sensação de estar no paraíso... Cada praia mais bonita que a outra e o céu limpo ajudava a incrementar a beleza natural da cidade. A cidade é muito bem sinalizada, em qualquer lugar você vê placas dando a direção para Copacabana e para a Barra. Como este último era o meu destino, cheguei lá sem grandes transtornos. Encontrar o hotel também não foi difícil, eu tinha visto no site as fotos da fachada e o reconheci de longe. A Barra é linda!!! A praia estava vazia, afinal era sexta-feira, dia útil. Organizei algumas poucas coisas no quarto, troquei de roupa e, como todo bom mineiro, fui logo para a praia para não perder tempo. Caminhei alguns quilômetros ao longo da orla pela calçada, respirando a brisa vinda do mar. Quando decidi que era hora de voltar, voltei caminhando pela areia, com a água batendo nos meus pés e tornozelos. Ah! Que saudades desse tipo de caminhada! Chegando perto do hotel, me sentei na Barraca do Pepê. Comi um Penta (sanduíche de peito de peru, mussarela de búfala e ricota - fantástico!) e tomei um Bali Hi (shake de iogurte de morango, sorvete de morango e pedaços de banana - igualmente ótimo!). Depois fiquei na praia até começar a escurecer. Voltei ao hotel, tomei um banho, descansei por alguns minutos. O Nando estava na faculdade e iria me ligar quando a aula terminasse para sairmos. Portanto, para não perder tempo, resolvi sair para passear e conhecer o Barrashopping. Dei umas voltas por lá e ele logo me ligou: - Lu, meus amigos e eu estamos indo para a Lapa. Se você puder e quiser ir, vai ser muito legal. Podemos nos encontrar lá? - Nando, quero ir, posso ir... Só que tem um pequeno probleminha. Não tenho a mínima noção de como chegar à Lapa. Fomos avaliando as possibilidades e finalmente chegamos a uma solução. A prima dele estava na Barra, passaria no hotel com o namorado e eu os seguiria até a Tijuca. Lá deixaríamos o carro e seguiríamos para a Lapa de metrô. Assim fizemos. Conheci a Andressa (Cessa) e o Diego, seguimos de carro até a Tijuca onde encontramos a Alexandra e o Marcelo. Em vez de metrô, decidiram ir para a Lapa de táxi. Porém, ao chegar, o taxista não quis levar cinco pessoas. Decidimos ir de carro mesmo, lá encontraríamos um estacionamento. Eu dirigi e o Marcelo foi o meu GPS. Gostei de termos ido de carro juntos, assim pude conhecer melhor o pessoal e logo notei que estava acompanhado de pessoas muito legais. Chegamos à Lapa, estacionamos o carro e fomos para o Cine Lapa. E então, finalmente, depois de quase cinco anos, conheci o Nando pessoalmente! (continua...)
Escrito por Super Body às 11h06
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"Causos" do Rio - Parte II - Vou Deixar a Rua Me Levar
No voo, tudo normal. Sem atrasos. Havia uma escala em Ribeirão Preto, ou seja, duas chances para aprender a coreografia da "Dança das Aeromoças". Não aprendi, tenho uma certa dificuldade em "pegar" coreografias de dança... Quem sabe na volta? Chegando ao Rio, a primeira de muitas vistas maravilhosas que eu teria nos próximos dias. Algo inexplicável, de tirar o fôlego. Tão lindo que palavras não conseguem descrever. Na aterrissagem, o avião chega tão perto do mar que, por alguns instantes, você tem a impressão de que haverá um pouso na água. É muito show! Por outro lado: "Putz, esta cidade é muito maior do que eu imaginava! Daqui a pouco estarei de carro naquelas ruas sem a mínima noção de direção! Quem mandou estudar no Google Maps apenas a Zona Sul e a Barra? O Rio é muito mais que isso!!! E agora?" Era uma perspectiva assustadora. O fato de eu ter reservado um GPS junto com o carro alugado não reduzia muito o temor de enfrentar aquelas ruas desconhecidas. Com coragem, desembarquei, peguei minha bagagem e me dirigi à agência da locadora de carros. - Bom dia, tenho uma reserva! - Ah! Foi o senhor quem fez a solicitação do GPS, não foi? Sabendo disso, nos antecipamos e o rapaz saiu para buscá-lo às 8h. De modo que agora, às 10h30, o GPS já está aqui prontinho para ser levado. Vou pedir para trazerem. Começou a conversar no rádio: - Por favor, traga o GPS que o cliente já chegou... Hein? O rapaz não chegou ainda?... Pegou muito trânsito?... Mas o cliente já está aqui, aguardando... Somente daqui a três horas? Onde ele está?... Não tem como ser antes?... Vou tentar solucionar com o cliente e já ligo de volta. Pela conversa monolateral que eu tinha ouvido, deu para saber que as minhas "muletas" tinham sido arrancadas das minhas mãos. Havia duas opções nada agradáveis: aguardar por três horas a chegada do GPS ou sair do aeroporto com o carro sem o aparelhinho salvador. A moça me perguntou: - Para onde o senhor está indo? - Para a Barra - respondi quase sem voz. - Ótimo. O rapaz está agora exatamente na agência da Barra. Vou pedir para ele deixar o GPS lá e o senhor passa para pegar. Certo? - Moça - encontrei forças para elaborar uma frase. - Você não está entendendo. Se eu conseguir chegar à Barra sem GPS, aí eu chego em qualquer lugar. - O que você conhece do Rio? - Por enquanto, apenas o aeroporto - respondi. Ela me olhou com uma cara de "o louco é ele de sair de carro por aí sem conhecer nada ou os loucos somos nós de entregar o carro?". - O que o senhor prefere então? - Cancele o GPS - eu disse sem muita segurança. - Vou ficar apenas com o carro. Ela deu de ombros e me entregou as chaves, como se dissesse: "Lavo minhas mãos, o problema é seu!" Fui ao pátio da locadora, o carro veio com a luz de freio queimada. Tentaram consertar, não conseguiram. Trocaram o carro. (Isto levou uma hora! Aliás, esta é a última vez que utilizo os serviços desta locadora em particular, motivo pelo qual não citarei o nome da mesma.) Saí com o carro. "Seja o que Deus quiser!" E Ele quis que, de cara, eu pegasse a direção errada! (continua...)
Escrito por Super Body às 12h33
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"Causos" do Rio - Parte I - Should I Stay Or Should I Go?
Depois de anos e anos de vontade, resolvi colocar um desejo antigo em prática. Porém, quando eu dizia: "Vou ao Rio de Janeiro", tudo o que eu ouvia eram frases como: "Cruz credo! Lá é perigoso!" ou "O que vai fazer lá? Levar tiro?" Bem no fundo, devo confessar que todas as histórias que a mídia nos apresenta diariamente sobre violência na Cidade Maravilhosa também me assustavam e me causavam um certo receio. Por outro lado, tenho a fé, a convicção e a certeza de que o que está destinado a cada pessoa deverá acontecer de um modo ou de outro. É aquela história... Se você não deve morrer em um desastre de avião, você perderá o voo, seja por uma dor de barriga, um trânsito congestionado ou qualquer outro motivo que faça com que você não embarque. E se você deve morrer no tal desastre e não embarca, o avião cai na sua cabeça. Portanto... por que não? Decidi arriscar. E que Deus me acompanhasse!!! Tudo organizado. Data marcada. Passagens compradas. Hotel reservado. Carro alugado. Tudo na mais perfeita ordem, sem nenhum entrave. Para mim, isto claramente dizia: "Vá sem medo". Na véspera do embarque, aconteceu a festa de aniversário de um ano da minha sobrinha. Cheguei do trabalho e só deu tempo de tomar um banho para comemorar esta data tão importante com ela. "Tudo bem, festa de criança acaba cedo. Até 22h30 já estarei em casa, prepararei a bagagem e nem irei dormir tão tarde", pensei. Chegando à festa, minha sobrinha pegou as chaves do meu carro para brincar. Como ela era a estrela da festa e todo mundo queria pegá-la nos braços, em poucos segundos outra pessoa a pegou e as chaves foram com ela. Sem que ninguém visse, ela levou o controle do alarme à boca, como qualquer criança nesta idade faz. Depois de alguns minutos, me devolveram as chaves e coloquei no bolso. Já perto do fim da festa, fui lá fora acompanhar meus tios que estavam indo embora, e o alarme do meu carro, do nada, disparou! Peguei as chaves do meu bolso, acionei o controle para desligar o alarme e... nada!!! Acionei novamente... nada!!! Cheguei mais perto... nada!!! Encostei o controle no vidro do carro, bem perto do receptor e... nada!!! Abri o controle do alarme para ver se era algum mau contato... e ele estava totalmente molhado por dentro com a saliva da minha sobrinha! Nada de funcionar! Meu primo me levou em casa para buscar as chaves de reserva. Quem disse que eu as encontrei? Revirei a casa inteira e nada! E, o pior, eu nem fazia ideia de onde poderiam estar! E meu voo sairia no dia seguinte, às 8h da manhã! "Seria isto um aviso para que eu não vá?", pensei. A festa acabou, o salão de festas estava fechando. Peguei o carro da minha mãe e fui buscar meus pais (que tinham ido comigo). Voltamos para casa para procurar as chaves. Tudo o que eu pedia a Deus era: "Se eu não tiver que viajar, se este for o meu aviso, faça com que as chaves desapareçam, virem fumaça!" Mas... Chegando em casa, encontrei as chaves. Busquei meu carro. Preparei a bagagem. Dormi tarde. Acordei cedo. Peguei o voo. E segui para o Rio de Janeiro. (continua...)
Escrito por Super Body às 17h20
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So Help Us God
Se agosto é o mês do cachorro louco, abril deve ser o mês do cupido louco. Só flechas disparadas a esmo sem o menor critério podem explicar os comportamentos tão bizarros dos últimos dias. E mais não digo!
Escrito por Super Body às 09h48
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Um Álibi A Tempo - Parte IX
- A que horas foi cometido o crime? – perguntou Rafael. - Segundo esta senhora, por volta de dezesseis horas. Às dezesseis e quinze recebemos a denúncia e o corpo ainda estava quente quando chegamos lá. O que tem a dizer? - Sou inocente. Neste horário eu estava em uma lanchonete. - Havia alguém com você? - Não, mas acho que os funcionários podem confirmar. - Vamos até lá então. Chegando à lanchonete, o garçon veio a seu encontro. - Ora, veja, ainda está vivo? – perguntou, brincando. - Claro que sim. É preciso mais que um lanche daqueles para me derrubar. - Estou vendo. E o que vai ser desta vez? O policial interferiu: - Lamento dizer, mas desta vez não vamos pedir nada. Só preciso de uma confirmação. Este rapaz afirma ter estado aqui às dezesseis horas de hoje. Isto é verdade? - Bem, ele esteve aqui às dezesseis horas, mas foi na terça-feira. - E hoje? - Hoje ele não apareceu. Rafael retrucou: - É claro que eu estive aqui hoje. Não se lembra? - Desculpe, senhor, mas se o senhor tivesse vindo, eu me lembraria. Eu não saí daqui hoje. O senhor comeu tanto na terça-feira, eu não me esqueceria do seu rosto, mas eu posso afirmar que hoje o senhor não esteve aqui. Eduardo havia pegado alguns guardanapos e estivera o tempo todo rabiscando, não prestando a mínima atenção na conversa. De repente ele soltou um grito: - É isto! Como pude ser tão estúpido? Isto era tão óbvio! Todos se voltaram para ele. Ele disse ao policial: - Me desculpe, mas preciso falar com meu amigo em particular nesse instante. Não posso esperar. - Seja rápido, por favor. Seu amigo está metido em encrencas. Eduardo nem escutou o que o policial disse. Saiu puxando Rafael pela camisa e nem se deu conta de que ele estava protestando. - Escute, Rafael, eu sou mesmo um estúpido. Sabe qual é a distância segura para separar duas forças vitais? - Professor, eu estou com problemas até o pescoço e o senhor vem me falar sobre isto agora? - É necessário. Não há distância segura para separar duas forças vitais. A única coisa que as separa é o tempo. Por isto, você não me encontrou em casa. É porque você não me procurou hoje. Você me procurou na terça-feira pensando que era hoje. - Como é que é? - Quando o seu eu da terça-feira chegou à sexta-feira, empurrou o seu eu da sexta-feira para o lugar mais próximo onde sua força vital não estava. E onde era? Na terça-feira. Você viajou no tempo hoje de novo e nem se deu conta disto. Você passou a sua tarde de hoje na terça-feira. - Quer dizer que eu não estava aqui? Professor, me ajude. Preciso fugir. Estou numa enrascada. Por favor, não posso ficar esperando... Neste instante, o policial chegou. - Lamento interromper, professor, mas preciso levar seu amigo. E dirigindo-se a Rafael: - Você está preso por homicídio. Tem o direito de contar com a presença de um advogado no tribunal. Se não puder pagar, o Estado lhe providenciará um. Tem o direito de permanecer em silêncio e se abdicar deste direito, tudo o que disser poderá ser usado contra você. FIM
Escrito por Super Body às 12h08
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Um Álibi A Tempo - Parte VIII
Foi despertado com o professor sacudindo-o. - O que aconteceu? Por que você não apareceu na hora marcada? E o que você ficou fazendo aí fora que não entrou? - Ora, professor, eu me atrasei um pouco. Mas quando cheguei, não encontrei ninguém em casa. A porta estava trancada, então fui tomar um lanchinho no shopping. Quando voltei, você ainda não havia chegado e eu resolvi esperar aqui. Acabei pegando no sono. Quantas horas são? - Dezessete e quinze. Por falar nisto, quando você viajou no tempo, você ficou sabendo do assassinato? - Que assassinato? - Aquele cara para quem você devia dinheiro foi assassinado. Acabou de dar na televisão. Mas a polícia já identificou o assassino. Não revelaram o nome, é claro, mas já estão à procura dele. - Bem, preciso ir para casa. Acho que comi demais e não estou passando muito bem. Vou tomar um sal de frutas. - Espere! Você mentiu para mim. Eu não saí de casa a tarde inteira. E a porta ficou destrancada todo o tempo. É melhor me dizer onde esteve. - Eu disse a verdade. Na lanchonete podem confirmar. - Vocês, jovens, todos uns irresponsáveis. Neste momento, um carro da polícia parou na porta da casa de Eduardo. Um homem desceu, acompanhado de dois guardas, e dirigiu-se a Rafael. Pediu a identidade e Rafael entregou. - O que houve? – perguntou. - Fizeram uma denúncia anônima de um assassinato. Estivemos interrogando as pessoas que estiveram por lá na hora do crime e uma vizinha diz ter visto você sair de lá depois que ela escutou barulhos que pareciam tiros. Ela disse também que você devia dinheiro a ele e isto o torna o suspeito principal do crime. (continua...)
Escrito por Super Body às 10h33
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Um Álibi A Tempo - Parte VII
Teve então uma idéia. Dirigiu-se a um shopping ali perto. Entrou em uma lanchonete e pediu: - Dois hamburgers com batata frita, um suco de laranja, um copo de leite com chocolate e uma banana split com bastante caramelo. Vocês também têm frutas aqui? O garçon respondeu que sim. - Então me traga duas mangas bem maduras. - É para viagem? - Não. Vou comer agora mesmo. - Senhor, me desculpe a intromissão mas, comendo tudo isto agora e ainda misturando leite com manga, o senhor poderá passar mal. Não quer que eu prepare pelo menos as mangas para viagem? - Não. Estou acostumado a comer assim. Não se preocupe. O garçon saiu e voltou depois de alguns minutos com o pedido. Rafael, que já havia tirado o relógio do braço, perguntou: - Você poderia me informar as horas, por favor? - Pois não, senhor, são dezesseis horas. Exatamente a hora em que o crime fora cometido. Rafael começou a comer. O garçon comentou com os outros o pedido de Rafael e todos ficaram impressionados. Todos passaram a observá-lo e fizeram até apostas de que ele não conseguiria comer tudo. Antes de chegar à metade do lanche, Rafael já não estava mais agüentando, mas exibia no rosto uma expressão de satisfação, pois sabia que estava sendo observado discretamente. E isto era exatamente o que ele queria. Acabou de comer, pagou a conta e saiu. Tirou o relógio do bolso e olhou. Dezesseis e quarenta e cinco. Voltou à casa do professor. A porta ainda estava trancada e ninguém respondia à campainha. Ele resolveu esperar a hora para ir embora ali mesmo. O professor tinha uma grande cadeira na entrada de sua casa, ótima para repousar. Rafael deitou-se e pegou no sono. (continua...)
Escrito por Super Body às 12h00
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