"Causos" do Rio - Parte XIV - De Volta para Casa
Obviamente, os mais atentos já perceberam que os famosos mencionados não apareceram em carne e osso, mas sim na tela do cinema - eu estava vendo o filme Divã. Que aliás, recomendo. Se eu tivesse encontrado o Reynaldo Gianechinni pessoalmente, eu certamente teria dito a ele que pediria um favor inusitado, pegaria meu celular e ligaria para a Andreia e pediria que ele trocasse uma ou duas palavrinhas com ela. Seria a minha "pequena" vingança por ela não ter ido comigo. Mas, azar ou sorte, não o encontrei pessoalmente. Almocei em um restaurante japonês no próprio Barrashopping antes de fazer pela última vez naquela viagem o percurso Barra - Zona Sul (embaixo de muita chuva) e seguir para o aeroporto. Devolvi o carro, fiz check-in, embarquei (com apenas quinze minutos de atraso), mais duas chances de aprender a coreografia da Dança das Aeromoças (não aprendi!), aterrissei em Uberlândia, peguei um táxi e logo estava em casa. Organizei algumas coisas e fui dormir - o dia seguinte era preto na folhinha! No dia seguinte, ao acordar, antes de abrir os olhos pensei: "Daqui a pouco estarei tomando café da manhã com vista para o mar!" Abri os olhos... Que decepção! Hoje não, hoje seria diferente... Caminhei pela av. Floriano Peixoto para ir ao trabalho... o mar não estava mais lá. Putz! Que saudades do Rio!
Escrito por Super Body às 12h13
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"Causos" do Rio - Parte XIII - It's a Rainy Day
Eu havia programado, para a manhã do último dia, ir à praia. Porém, o dia amanheceu nublado com nuvens carregadas e enquanto eu tomava café da manhã com vista para o mar, a chuva começou a cair - e não mais parou até o momento em que embarquei no avião, no fim da tarde. Então, fui para a varanda do apartamento e fiquei lendo até a hora de sair do hotel. O que, na verdade, só fez com que os planos mudassem de lugar (já que eu ficaria lendo na praia), com a vantagem de não sujar os pés de areia, mas com a desvantagem de não poder tomar banhos de mar entre um capítulo e outro. No fim da manhã tomei um banho, organizei minha bagagem e saí do hotel. Segui para o Barrashopping, onde os planos incluíam assistir um filme e almoçar, não necessária, mas preferencialmente nesta ordem - dependeria dos horários do cinema. Os horários ajudaram e um filme que eu queria ver começaria ao meio-dia. Comprei as entradas e me dirigi à sala de exibição. Não estava cheia - pelo contrário, nem metade dos lugares estava ocupada. Ótimo! Me acomodei. E então, todos os famosos que não vi durante toda a minha estada no Rio, começaram a aparecer: Cauã Reymond, José Mayer, Lília Cabral, Reynaldo Gianechinni... (continua...)
Escrito por Super Body às 10h42
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"Causos" do Rio - Parte XII - A Experiência Gastronômica
Quando cheguei ao hotel, já havia escurecido. Ainda assim, troquei de roupa e saí para correr. Corri por uma hora e, ao chegar de volta ao ponto de partida, entrei no mar. Fiquei na água por quase meia hora, relaxando, me refrescando... Uma delícia tomar banho de mar após um treino de corrida! Voltei para o hotel. Aí, então, somaram-se a pouca quantidade de horas dormidas, o dia de turista e o cansaço da corrida e me entreguei à preguiça total, completa e irrestrita. Recusei o convite do Nando para mais uma noite de balada - eu realmente não teria conseguido - e planejei apenas jantar e dormir. Porém, com a escolha do restaurante, acho que a expressão "apenas jantar" se torna, no mínimo, incoerente! Não foi "apenas jantar". Não foi "um jantar". Foi o jantar! Um restaurante que eu sempre quis conhecer. Um lugar que, apesar do preço, vale cada centavo. Nada mais, nada menos que a Churrascaria Porcão! Além de ser um desejo de consumo antigo, ficava praticamente "ao lado" do hotel. Fechou! Ao chegar, a recepcionista me indicou o buffet de frios e um outro de comida japonesa. Resolvi começar pela comida japonesa, fazer uma entrada leve antes de começar o festival de carnes. Confesso que fui sem grandes expectativas - afinal, de todas as churrascarias que eu conheço, mesmo as melhores, nunca conheci nenhuma que ofereça quitutes japoneses com um mínimo de qualidade e sabor para merecerem sequer uma "menção honrosa". Ao colocar o primeiro sashimi na boca... "CA-RAM-BA! O que é isso?" Simplesmente, o sashimi com o melhor sabor que eu já tinha provado na vida! Todas as opções de sushis e sashimis conseguiram se manter no nível do primeiro. Uma delícia! Perfeitos! Se eu não estivesse com tanta vontade de comer carne naquele dia, eu teria tranquilamente ficado apenas no buffet japonês. O que vem a seguir já dá para imaginar, certo? Se o buffet japonês já tinha tal qualidade, imagine o que eram as carnes, que afinal de contas eram a especialidade da casa. Comi até não aguentar mais! Nem sequer fui ao buffet de frios... Com aquelas carnes, quem iria ser louco? Pelo preço, não é um lugar para se frequentar semanalmente. Nem mesmo mensalmente. Mas, pelo menos uma vez na vida, se você puder, vá a uma Churrascaria Porcão. Não há como se arrepender! De estômago cheio, voltei para o hotel e caí nos braços de Morfeu para a última noite de sono no Rio. (continua...)
Escrito por Super Body às 10h59
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"Causos" do Rio - Parte XI - Cidade Maravilhosa Cheia de Encantos Mil
Dormi algumas (poucas) horas, tomei café da manhã com vista para o mar e iniciei o dia de turista. Peguei o carro com o objetivo de visitar diversos pontos turísticos da Cidade Maravilhosa. Já que ela tinha tirado um sarro da minha cara nos dias anteriores, comecei pela Lagoa Rodrigo de Freitas. Estacionei o carro e caminhei um pouco em volta da Lagoa. Me senti uma Helena do Manoel Carlos, linda e loira, de olhos azuis (sim, imaginei a Helena da Vera Fischer), morando no Leblon e fazendo tudo aquilo com o ar mais blasé do mundo, como se aquilo fosse a coisa mais natural da minha vida (o equivalente a caminhar pela Av. Cesário Alvim aqui em Uberlândia - coisa que faço todos os dias para ir ao trabalho). Que delícia! Em seguida, a praia de Copacabana. Estacionei, mas só dei uma volta pela calçada. Eu não estava com roupa de banho e, de qualquer modo, não estava a fim de me sujar de areia - pelo menos não por enquanto. Também andei de carro por toda a Avenida Atlântica, a praia é linda! Depois, segui para o Pão de Açúcar. Mas antes de chegar lá, fiz questão de dar umas voltas pelas ruas do bairro da Urca que imediatamente levaram minha memória à época em que eu assistia A Gata Comeu. Caramba! Eu estava no cenário real da minha novela favorita de todos os tempos! Me senti voltando vinte anos no tempo, sério! Indescritível! Paguei para entrar no Pão de Açúcar e andei nos bondinhos. Eu já tinha estado lá com oito anos, mas as memórias já andavam meio apagadas. Sem contar que as impressões de um adulto e de uma criança são completamente diferentes, então foi como estar lá pela primeira vez! Meu Deus! Que vista! Se é que é possível, a cidade fica ainda mais linda vista lá de cima! (E mal sabia eu que uma melhor ainda estava por vir!) Que tecnologia! É impressionante imaginar como foram construídos aqueles bondinhos e toda a infraestrutura dos dois morros há anos atrás! Eu sei que estou sendo repetitivo dizendo que "não tenho palavras para descrever", mas só estando lá para compreender tudo o que se sente em cada um dos pontos visitados! Saindo do Pão de Açúcar, resolvi circular de carro antes de ir ao Corcovado. Dirigi pelo Aterro do Flamengo (não parei). Voltei à Lapa e revi os famosos Arcos e a Catedral Metropolitana. Passei em frente ao Sambódromo. Segui pelo Túnel Rebouças e fui visitar o Cristo Redentor. Fui de carro até onde dava, estacionei e peguei a van para subir o restante. Quando desci da van, fiquei mudo! Havia a opção de subir por elevador ou escada rolante até o Cristo, mas fiz questão de subir pelos degraus, vagarosamente, em silêncio, totalmente emocionado. Não acreditava estar diante de tamanha beleza! Havia uma sensação de paz naquele local que raras vezes em minha vida senti! Não me contive, as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto de uma maneira inexplicável! Eu chorava como uma criança! Entrei na capela e, em pranto, rezei bastante! Primeiramente, agradeci muito por tudo o que tenho na vida. Tantas oportunidades, tantas pessoas especiais que me cercam, agradeci por cada detalhe importante que me lembrei. Pedi muita força, apoio e boas orientações para continuar seguindo meu caminho de evolução espiritual. E pedi bênçãos para toda a minha família, todos os meus amigos. Fiquei muito tempo na capela e, ao sair, eu me sentia quase imaterial de tão leve! Aqui ficou marcado, sem nenhuma dúvida, o melhor momento da viagem! Se a vista de cima do Pão de Açúcar é indescritível, a do Corcovado não tem comparação! É muito mais linda, mais emocionante, mais tudo! As (poucas) fotos que tirei não conseguem dar a dimensão do que é estar lá, nem de longe! Fui embora para a Barra, mas não sem antes passar (somente de carro) pelas praias de Ipanema e do Leblon. E assim, encerrei o meu dia de turista. (continua...)
Escrito por Super Body às 11h03
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"Causos" do Rio - Parte X - Wrong Turn
(Estive em dúvidas se deveria ou não publicar a narrativa a seguir. Na verdade, nem mesmo o Nando sabe da ocorrência deste fato e, se eu não o relatasse, este segredo iria para o túmulo comigo. Mas, como ele fez parte da viagem, resolvi abrir.) Ao acabar de atravessar a Ponte Rio-Niterói, peguei alguma direção errada e entrei em uma via que até hoje não sei se foi a Avenida Brasil (75% de chance), a Linha Vermelha (20% de chance) ou outra (5% de chance). Apesar de muito movimentada, era bastante sombria. E, o pior, não havia retorno! Andei por alguns quilômetros e placas apontando para a Zona Oeste (sempre em frente) começaram a aparecer. Note bem: Zona Oeste e não Barra. Como já tinha andado uma distância considerável, resolvi continuar - era simplesmente um outro caminho para chegar onde eu precisava. Em um determinado momento, as placas apontando para a Zona Oeste simplesmente desapareceram! Ou seja, provavelmente deixei passar batida a saída correta para seguir para a Barra. Além disso, não sei se teria coragem de entrar naquela região estranha mesmo se houvesse uma placa indicando. À medida que eu andava, a "paisagem" ia ficando cada vez mais estranha, mais sombria. Como consequência, depois de ter andado uns trinta quilômetros (talvez mais), peguei um retorno e voltei tudo o que eu tinha andado. Só então consegui pegar a rota correta para a Zona Sul - e de lá para a Barra, o caminho já era conhecido. Foi, realmente, o episódio mais assustador de toda a viagem. Mas, graças a Deus, nada de mau aconteceu. Acabei gastando, por isso, quase duas horas de Niterói à Barra, chegando ao hotel quase às seis da manhã e provocando uma das cenas antológicas da viagem. Eu (ao recepcionista do hotel): Boa noite! O recepcionista (para mim, ao mesmo tempo): Bom dia! E, também por isso, deixei de responder ao torpedo do Nando que me pedia para avisar no momento em que eu chegasse ao hotel. Com certeza ele já estaria dormindo às seis da manhã! Eu ligaria para ele mais tarde. (continua...)
Escrito por Super Body às 11h22
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O Garfo na Tomada
Enfiar o garfo na tomada não foi o problema. O pior é ter que aguentar esperar, segurando o garfo, para tirá-lo da tomada só daqui a nove meses. E, antes que perguntem: Não, NÃO estou grávido! P.S.: Os "Causos" do Rio ainda voltam... Só estou sem tempo para escrevê-los.
Escrito por Super Body às 16h42
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Inter-"Causos"
Há alguns dias, todos os dias, quando chego para trabalhar, a faxineira-emo vem, do nada, me relatar: - Qual foi o meio de transporte que ela usou para vir trabalhar;
- Quantos minutos ela gastou de casa até o trabalho;
- A que horas exatamente ela chegou;
- Quem a acompanhou no trajeto, detalhando o início e o fim de cada companhia.
Tudo bem, eu tenho cara de quem adora Estatística e adoro mesmo! Mas quem passou para ela a ideia (errada) de que estou coletando dados para alguma análise?
Escrito por Super Body às 11h51
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"Causos" do Rio - Parte IX - Le Boy e Niterói
Quando eu ainda era pré-adolescente, a primeira boate gay da qual ouvi falar na minha vida foi a Le Boy. Mesmo com o passar do tempo, de um certo modo, eu fantasiava que a Le Boy era algo bem parecido com a Babylon (do seriado Queer as Folk, lembram?): pessoas lindas, iluminação perfeita, sorrisos amistosos, drinks coloridos - o cenário perfeito! Na minha ideia, talvez, perigava até que eu só ouvisse lá dentro (apesar da música seria possível ouvir tudo com perfeição!) as pessoas conversando em Inglês (eu entendendo tudo, é claro!) e encontrasse o Brian (Gale Harold) em pessoa! Ah, sim! Estaria lotada, mas magicamente as pessoas não esbarrariam umas nas outras. A temperatura seria perfeitamente agradável. Mesmo com o prévio aviso do Nando - "Olha só, a Le Boy hoje não é mais tão cheia de charme como no passado, tá?" - eu ainda pensava que "quem foi rei, jamais perde a majestade". Já deu para ter noção da expectativa, né? Então você conseguirá entender com clareza a decepção que foi encontrar um lugar mais ou menos parecido com... a Heaven! De qualquer modo, estar na companhia do Nando já valeu! Como eu já disse antes, era como estar junto de um amigo de infância, estávamos totalmente à vontade um com o outro trocando comentários sórdidos e cheios de veneno sobre os outros frequentadores e seus modelitos! Rimos demais! E - meu Deus do céu!!! - o que eram aqueles go-go-boys? Que pernas!!! Que abdômens!!! Que tudo!!! Fora o show do stripper... de tirar o fôlego - e sem comentários adicionais porque o horário não permite!!! Talvez, se a expectativa não existisse, a palavra "decepção" nem se aplicasse ao caso... No balanço final, ainda acho que valeu a pena ter ido lá. Saindo, fui levar o Nando em Niterói... e eu ia perder a oportunidade de passar sobre a Ponte Rio-Niterói? (Aliás, com a reforma ortográfica, Niterói perde o acento?) Realizei um sonho de infância (já que, com oito anos, eu só havia passado embaixo da ponte, de barco). Mesmo sendo noite, a vista é linda! E a sensação de estar em mais uma maravilha do mundo moderno é indescritível! Entendam... 14 km de uma construção feita com base de sustentação no mar há muitos anos é uma obra de arte da engenharia!!! Era isto que me causava a sensação! Sem contar que, desde a infância até poucos dias antes de viajar para o Rio (quando então estudei atenciosamente o mapa da cidade e vizinhanças), eu acreditava sem a menor dúvida que Niterói se situasse em uma ilha! Afinal, eu pensava (ou nem pensava - tomava por conclusão óbvia), por que se dariam ao trabalho de construir uma ponte dessa grandeza? A resposta é que a Ponte economiza um bom tempo de viagem (talvez em horas) para quem vai de uma cidade à outra. Mas... chega de gafes minhas! Acabamos dando algumas voltas em Niterói, o Nando me mostrou os pontos turísticos e as praias mais famosas que eu queria mesmo conhecer, mas não sabia se daria tempo durante o dia - e realmente não deu!!! Eu o deixei em casa, nos despedimos e segui para o Rio. (continua...)
Escrito por Super Body às 12h28
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"Causos" do Rio - Parte VIII - Contrastes Maravilhosos
Ao estacionar em frente à Help, já vi de cara umas dez crianças espalhadas que pediam dinheiro aos transeuntes. Crianças mesmo! Os mais velhos teriam, se tanto, doze anos! E, discretamente misturados à multidão, dois ou três adultos "responsáveis" pelas mesmas. O mais interessante era notar que, mesmo de olho nelas, os adultos não faziam nenhum contato com as crianças. Nada! Nem mesmo uma troca de olhares! Era como se fossem totais desconhecidos, como se estivessem ali por acaso, de bobeira. As crianças conseguiam uma moedinha aqui, um troco ali, pelo medo ou pela comoção que transmitiam aos que passavam pela calçada, principalmente os estrangeiros. Táxis paravam naquele local em uma frequência admirável! Deles desciam mulheres que, apesar de usarem roupas e sapatos novos, vários adornos e maquiagem, nada tinham de elegantes ou sofisticadas. Eram, antes, mulheres que estavam chegando ao "trabalho". Desciam do táxi se sentindo a própria Julia Roberts em Uma Linda Mulher e caminhavam imponentes, altivas, como se pisassem nas nuvens. Todas, sem exceção, dirigiam-se à Help e entravam. Alguns dos adultos pareciam também ser "responsáveis" por estas profissionais, embora, novamente, nenhum contato fosse feito. Ca-ram-ba! E eu parado ali, no meio disso tudo! Meu primeiro impulso foi arrancar com o carro e sair dali o mais rápido possível. E depois, do trânsito, ligar para o Nando e tentar marcar outro lugar para encontrarmos. Mas me contive. Observando bem, estes não eram os únicos componentes da "paisagem" (ou da "fauna", como preferirem). Por ali também passavam casais de idosos, caminhando calmamente. Famílias inteiras com crianças correndo, gritando, rindo, brincando... Outros com crianças de colo, dormindo nos braços dos pais ou nos carrinhos de bebê. A sensação era de assistir a um filme que misturava Cidade de Deus com personagens de comercial de margarina. Meu lado racional venceu: realmente não havia perigo ali. O medo inicial simplesmente evaporou. Finalmente compreendi que a Cidade Maravilhosa não tinha este título apenas por suas belezas, naturais ou criadas pelo homem. Seu principal espetáculo se dá na evidência dos contrastes. Bairros nobres circundados por favelas. A abundância e a miséria intercaladas, quase sem divisão visível. Os opostos convivendo bem, em uma mistura surreal. (Tudo bem, "convivendo bem" pode até ser utopia... Mas, nesta viagem em particular, não tive nenhuma evidência da violência tão amplamente divulgada. E não sou tão ingênuo a ponto de pensar que a violência não existe por lá. Sei que existe. Só não vi.) Nando chegou. Fomos para a Le Boy. (continua...)
Escrito por Super Body às 11h09
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"Causos" do Rio - Parte VII - Um Mistério Esclarecido
Se da primeira vez que vi o "mar" do lado "errado" eu estava tão zoado de sono que aquilo nem fez diferença para mim, desta vez eu estava bastante acordado para não conseguir ignorar um fato tão contraditório. Pus o cérebro para funcionar: "Pense, LuiGu, pense! O que pode estar acontecendo? Vejamos... Em primeiro lugar, onde eu estou exatamente? Se acabei de sair dos túneis que ligam a Barra à Zona Sul, devo estar no Leblon... ou Ipanema... Leblon... Ipanema... Muita água do lado esquerdo..." Olhei direito. "Caramba!!! Não é o mar!!! É a Lagoa Rodrigo de Freitas!!!" (OK. Nesse momento é a hora de tirar sarro da minha pessoa!!! E, para qualquer gracinha, já deixo a minha resposta adiantada: Eu tive coragem de chegar a uma cidade absolutamente desconhecida, presumidamente violenta, pegar um carro - sem GPS - e rodar para todos os lados, errando ou acertando. E ainda consegui estar de volta à minha cidade são e salvo. Você teria a mesma coragem?) Se eu estivesse na Índia, teria amarrado uma pedra no pescoço e me atirado ao Ganges de vergonha. Como estava no Rio, segui o plano original: rumo a Copacabana, encontrar a Help na Avenida Atlântica. Aliás, sorte ou intuição, cheguei na Avenida Atlântica exatamente na Help. Mas, como tinha tempo, não perdi a chance de dirigir pela orla de Copacabana antes de parar o carro. A vista noturna não é menos bela que a diurna! Depois de circular um pouco, estacionei em frente à Help. "Não desça do carro", havia dito o Nando. "Não é perigoso. Haverá vagas. Simplesmente estacione e me espere lá, não demoro." Fiz como o sugerido. E em poucos segundos, observando o ambiente, descobri que não havia um nome mais apropriado para o local - Help! (continua...)
Escrito por Super Body às 09h49
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