A Faxineira-Emo Quer Emagrecer
Cheguei para trabalhar, a faxineira-emo estava colocando um pó de aspecto bem estranho em um copo d'água. Misturou com uma colher e começou a comer (tomar?) aquilo. Nem perguntei, cada doido com a sua mania. Mas pensa que ela perderia a chance de comentar: - Isto é farinha da casca de maracujá. - Ah! - respondi, tentando fazer com que o assunto não se estendesse muito. - Faz emagrecer! - ela continuou. Ela nem é exatamente gorda, na verdade. - Aham! - continuei monossilábico, mas ela se sentiu estimulada. - Não tem um sabor muito agradável, não. Mas vou tomar todos os dias e em breve estarei magrinha! Como se existisse algum alimento com valor calórico negativo! Ela continuou com as colheradas e com o discurso: - Ainda bem que você não precisa disso, né? Você malha... - É o que efetivamente funciona - respondi, lacônico. - Ah! Me ajuda! O que eu faço para perder a barriga? - Corre! Mas corre muito! - Hummmmm! Será que eu consigo correr? Nesse instante, passou pela minha cabeça a imagem dela correndo. Não pude evitar o riso, mas disse, disfarçando: - Comece devagar, vá aumentando aos poucos. - Não. Acho que não. Já sei! Vou vir trabalhar todos os dias de bicicleta! - Também ajuda. - Mas perdi o costume de vir trabalhar de bicicleta. O que eu devo fazer para recomeçar? - Simples. Amanhã, quando você acordar e vier trabalhar, suba na bicicleta, comece a pedalar e terá recomeçado. A partir daí, basta repetir a mesma atitude todos os dias. Ela me olhou com uma cara de "Como foi que não tive essa ideia antes?" e disse: - É isso mesmo. A partir de amanhã, venho de bicicleta! Nisso, um outro colega de trabalho chegou. Ela se dirigiu a ele dizendo: - Isto é farinha da casca de maracujá. - Ah! - ele respondeu. - Faz emagrecer! - ela continuou. Foi a minha deixa para sair de cena, afinal eu tinha acabado de ver este filme...
Escrito por Super Body às 17h05
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A Saga da Renovação da Habilitação - Parte II
A noite de sexta para sábado não foi das melhores. Fui me deitar pouco depois da meia-noite, mas só consegui pegar no sono depois das três horas. Acordei às seis com o despertador. Se dez horas-aula já tinham tudo para ser uma tortura, imagina com sono... Força! Se não for hoje, terá que ser outro dia! Acabe logo com isso! Tomei um banho caprichado, um café da manhã razoável e fui para o curso. Ao entrarmos na sala de aula, a instrutora distribuiu um pedaço de papel para cada um, dizendo: - Faremos uma dinâmica para nos conhecermos melhor. Cada um escreverá no pedaço de papel que eu entreguei o nome de uma fruta, de um carro e de uma música. As escolhas deverão refletir um pouco de vocês, portanto sejam sinceros. Putz! Isso só pode ser um sonho! Ainda não acordei! Tá falando sério?!?!?!? Reprimi meus impulsos de colocar "tico berry" para fruta e "Ferrari" para o carro. Como ela havia pedido que não colocássemos nossos nomes nos papéis, imaginei que outra pessoa iria ler. Aí, meu lado "do mal" falou mais alto na hora de escrever a música: "If You're Not The One - Daniel Bedingfield". Ia ser engraçado ver alguém tentando pronunciar tudo isso aí. (Aliás, na verdade, nem tentaram. Quem pegou o meu papel simplesmente disse: "Não sei ler esse negócio aqui, não".) Após esta "pequena" enrolação, ela falou um pouco sobre Direção Defensiva na parte da manhã. Não vou mentir, gostei desta parte. Aliás, se os meus colegas tivessem deixado que ela falasse conforme ela provavelmente havia planejado, teríamos tido muitas informações relevantes. Mas eles a interrompiam minuto a minuto para contar piadinhas. Ao longo do dia, as piadas que já começaram ruins, foram tomando tons escatológicos, racistas, preconceituosos... Simultaneamente, a instrutora foi desistindo de tentar nadar contra a correnteza e deixou que a turma tomasse conta. Eu sabia que deveria ter trazido um livro para ler e ter ficado fora da sala de aula o dia todo! Mais tarde, o segundo instrutor da noite passada se juntou a nós. Como ele tem o dom de desandar tudo, adivinhe... Já que todos estavam em clima de piadas mesmo, ele ligou o projetor conectado ao computador, abriu o YouTube e foi mostrar vídeos que nada tinham a ver com Direção Defensiva, Primeiros Socorros ou Meio Ambiente. E assim, o dia foi se arrastando... lentamente... entre piadas e YouTube... Até que, finalmente, às 17h30, a alforria chegou! - Pronto! Vocês concluíram as quinze horas-aula! Parabéns! Não entendi os parabéns, mas nem perdi meu tempo em questionar. Simplesmente entrei no carro e saí dali o mais rápido que consegui.
Escrito por Super Body às 09h13
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A Saga da Renovação da Habilitação - Parte I
Com a minha habilitação vencendo, tive que me submeter às quinze horas-aula obrigatórias sobre Direção Defensiva, Primeiros Socorros e Meio Ambiente. Eu poderia fazer durante três manhãs de sábado seguidas ou em um só fim de semana, na sexta à noite e sábado o dia todo. Escolhi a segunda opção por dois motivos: É muito melhor acordar cedo em um sábado apenas do que em três e, também, quanto mais rápido eu acabasse essa tortura, tanto melhor. Assim sendo, me programei para perder o último fim de semana. Fui encaminhado pela auto-escola ao local do curso. Chegando lá, no fim da tarde de sexta, o atendente perguntou: - Primeira habilitação? - Não. Renovação - respondi. Ele me olhou com ar de dúvida. Confirmou no papel de encaminhamento. - Puxa! É renovação mesmo! Olhou de novo para mim e acrescentou: - Quantos anos você tinha quando tirou habilitação? Sete? Oito? Você é muito novo para renovação! Uau! Tirou doze anos da minha idade. Me senti nas nuvens! Quem sabe o fim de semana não fosse inteiramente ruim? Ao entrar em uma sala com mais nove sexagenários do sexo masculino e todos eles rústicos como só a homens compete ser, já percebi que a minha primeira intuição estava completamente enganada. Seriam quinze horas bem longas! Inicialmente, Primeiros Socorros. Ótimo! Já fiz na faculdade, será bom relembrar alguns conceitos e práticas. O primeiro instrutor, bastante sensato, não cansava de reforçar: - Em caso de acidente, sinalize o local, entre em contato com as autoridades e você já terá prestado ajuda. Não se meta a fazer aquilo que não sabe, você poderá prejudicar mais que ajudar. Não corra riscos, não se torne a próxima vítima, é melhor apenas uma vítima do que duas. Conduziu a aula com bastante paciência, com termos simples e perfeitamente adequados à audiência. Mas, nem tudo é perfeito. Ao fim da terceira hora, ele nos disse: - Agora vou embora, mas vocês continuarão as aulas de Primeiros Socorros com o outro instrutor. Foi então que tudo desandou... Notei que todo o bom senso estava presente apenas no primeiro instrutor. Não sobrou nada para o segundo. Ele dizia: - Aqui no manual diz para não fazermos muita coisa, né? Mas que se dane! Somos seres humanos! É claro que vamos querer ajudar! Mesmo que não saibamos como, iremos fazer alguma coisa, sim! Como assim, Bial? - Por exemplo - ele continuou -, aqui no manual diz para não fazer torniquete em vítimas de acidente. Então, não façam torniquete em vítimas de acidente! Parece sensato. - Mas você vai ver o cara lá sangrando e não vai fazer nada? Então vou ensinar vocês a fazer torniquete. Hein? E ensinou. Completamente errado! A terceira idade vibrava! - Outra coisa que diz aqui no manual: Jamais dê água às vítimas. Elas vão pedir, implorar, mas não dê. Pode agravar hemorragias. Claro! Isto é a base dos Primeiros Socorros! Certíssimo! - Então - acrescentou ele -, como aliviar a sede das vítimas? Molhe uma esponja ou um pano e vá dando água lentamente às vítimas! Nããããããããããããooooooooooo!!! Nem assim, nem de jeito nenhum!!! - Tá vendo como é fácil ajudar? Meus colegas de classe absorveram todos os conhecimentos incorretos. Saíram de lá na expectativa de encontrar um acidente e colocar em prática tudo o que aprenderam sobre Primeiros Socorros. Pobres vítimas! Se uma frase que ouvi há alguns dias ("A desinformação mata mais do que a doença") já é correta, a frase derivada que formulei é mais correta ainda: "A informação incorreta mata mais do que a desinformação". As aulas da noite chegaram ao fim. Five down, ten to go! A esperança era que o sábado trouxesse ensinamentos mais coerentes. Será? (continua...)
Escrito por Super Body às 10h32
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Drama
Quando me deito à noite, antes do sono vir, sua voz insiste em ecoar nos meus ouvidos. É tão nítida, é tão real que chego a abrir os olhos para ver se você está mesmo lá. Você nunca está. Mas ainda são suas costas que vejo ao meu lado, em um sono tranquilo. É o som da sua respiração que escuto, lenta. É o seu perfume que me embriaga. A sua presença inexiste, é apenas uma ilusão, não passa de uma vontade, de um desejo irrefreável, de uma necessidade não atendida. Às vezes, chego mesmo a acreditar que você seja apenas um fruto da minha imaginação criativa. Antes fosse! Porque, além de você, agora até os seus fantasmas também me assombram. Acordo com o travesseiro encharcado em lágrimas que choro pelo vazio no outro lado da cama. Um novo dia vai começar.
Escrito por Super Body às 17h28
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Horóscopo
Há alguns dias me lembrei o motivo pelo qual já fui fã do Quiroga: Amor não é algo que se recebe, é algo que se oferece. Quando você oferece amor, você é amável. Amáveis são as pessoas que merecem ser amadas também. Percebe, então, como uma coisa leva à outra e tudo termina do jeito sonhado? Bem verdadeiro, não?
Escrito por Super Body às 15h26
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Pontos de Vista
Sobre a viagem de sábado, o que poderiam dizer? Quem olhasse de fora, diria que eram apenas quatro pessoas em um carro. Diria que eram loucos por acordar de madrugada em um sábado e viajar quase 300 km para voltar no mesmo dia. Diria que provavelmente não tinham nada mais interessante para fazer no fim de semana. Diria que não entende como três pessoas passam boa parte do sábado fazendo atividades físicas. Diria que entende menos ainda o que uma pessoa que nem malha foi fazer num lugar daqueles (com uma conclusão, no mínimo, absurda). E, diria, para finalizar: "Tem gente que não sabe mesmo aproveitar a vida!" Ah! Mas quem olhasse de dentro... Saberia que, mais que quatro pessoas, éramos quatro amigos viajando juntos pela primeira vez, criando vínculos mais fortes e descobrindo interesses comuns. Que acordar cedo e passar horas na estrada era apenas um pequeno preço a se pagar por tanto assunto interessante, companhias agradáveis, "paisagens" maravilhosas, risos descontrolados e tanto aprendizado que seria aplicado de forma tão inútil! Que um programa ser interessante ou não depende exclusivamente do quanto cada um contribui de si para que o grupo se divirta, para que o todo seja maior que a soma das partes. Que ser Body-Addicted não é para qualquer um, mas quem descobre este vício saudável vive altas emoções ao sentir cada batida e cada nota da música, cada movimento da coreografia e se esquece do cansaço, das dores e do suor para tentar ir cada vez mais longe, superar seus limites e chegar ao final, tendo o seu esforço recompensado com uma boa saúde e com uma melhora no "shape". Que ainda não ser Body-Addicted não impede que qualquer pessoa faça parte do círculo de amigos que começa a se formar, principalmente quando esta pessoa está de bem com a vida e, mesmo não entendendo boa parte dos assuntos conversados (Desculpe, Ana!), ainda se esforça para fazer parte. E que, sim, sabemos viver a Vida como ninguém! (Com V maiúsculo mesmo!) Sabemos brincar... ("Ferradura nova?") Sabemos zoar... (Sim, nós todos votamos!) Sabemos apoiar... Sabemos rir (des)controladamente... (Alguém algum dia conseguirá esquecer as informações passadas pelo cara dos churros? "Vá por aquela rua e vire para lá, ande três quadras e vire para lá, siga a avenida até o rio e vire para lá... para lá... para lá... e para lá.") Sabemos ser críticos musicais... Sabemos amar!
Escrito por Super Body às 15h54
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